CIÊNCIA IPV – Projeto de investigação “HelicoViseu”

por Rua Direita | 2013.12.17 - 11:33

Estudo desenvolvido por docentes do Instituto Politécnico de Viseu revela que mais de 1/3 dos adolescentes portugueses estão infetados por Helicobacter Pylori

O Projeto de investigação “HELICOVISEU – Prevalência e fatores de risco da infeção por Helicobacter Pylori em adolescentes e adultos” resulta de um estudo levado a efeito por investigadores da Escola Superior de Saúde de Viseu do IPV: Carlos Pereira e Manuela Ferreira (coordenadores), Cláudia Chaves, João Carvalho Duarte, Maria Odete Amaral, Marco Batista, Nélio Veiga e Paula Nelas.
Desde a identificação da bactéria Helicobacter pylori (Hp) por Marshall & Warren, em 1982, que esta infeção tem sido referenciada como um importante problema de saúde pública, afetando pessoas de todas as idades. No contexto mundial, a infeção pelo Hp apresenta uma prevalência elevada em diversos grupos etários, com graves consequências para os indivíduos, as famílias e a comunidade. É uma infeção crónica encontrada em mais de metade da população mundial e a maior causa de gastrite crónica e úlcera péptica, em jovens e adultos, e um importante fator de risco para o desenvolvimento de tumores, designadamente o cancro do estômago. Embora mais de metade da população mundial esteja infetada, 80% dos indivíduos permanecem sem sinais evidentes da doença. Estudos realizados em crianças e adultos de vários países têm mostrado diferentes prevalências de gastrite, de úlcera gástrica e de duodenite/úlcera duodenal, associadas ao Hp. Vários fatores de risco estão associados à infeção por Hp, tais como a idade, o sexo, a etnia, a área de residência, o baixo estatuto socioeconómico, a escolaridade, o elevado índice de aglomeração (famílias numerosas, com necessidade de partilhar a cama com pais e irmãos durante a infância e adolescência), as deficientes condições higienossanitárias, os hábitos tabágicos, o consumo de álcool e a dieta.
A saliva e a placa bacteriana, presentes na cavidade oral, podem servir como reservatórios temporários para o Hp, designadamente da sua variante virulenta o cagA. Amostras de material biológico da cavidade oral poderiam ser utilizadas como método não invasivo para a deteção do Hp.
Embora escassos, alguns estudos têm evidenciado associações entre a presença de determinadas bactérias da flora oral com a infeção por Hp. Outros estudos apontam para microrganismos protetores, como o Lactobacillus.
A infeção por Hp é, na maioria dos casos, adquirida na primeira infância e normalmente persiste por várias décadas da vida, estando associada a morbilidade na idade adulta, a não ser que seja instituído um tratamento específico. Vários estudos têm referido que a infeção é adquirida, na maioria dos casos, até aos seis anos de idade. Esta fase da vida é identificada como a mais problemática devido às suas características específicas, designadamente pelo fato das crianças terem um contacto muito próximo com as pessoas e com o meio ambiente que as rodeia.

O projeto “HelicoViseu”
Esta investigação agora realizada, permitiu, por um lado, a quantificação da frequência do problema e a identificação dos fatores de risco, e por outro a definição de estratégias de intervenção no âmbito da prevenção e do diagnóstico precoce da doença e na promoção da saúde, melhorando a qualidade de vida dos indivíduos, das famílias e da comunidade, e assim obter ganhos em saúde.
Esta investigação insere-se num projeto mais abrangente que visava: a) estimar a prevalência da infeção pelo Hp em adolescentes e adultos; b) identificar fatores de risco associados à infeção pelo Hp em adolescentes e adultos; c) analisar as repercussões da infeção por Hp na qualidade de vida; d) identificar fatores sociodemográficos associados à dispepsia; e) relacionar o padrão da flora oral com a infeção por Hp.
A amostra total do estudo foi constituída por 750 participantes.

Resultados preliminares (no subgrupo dos adolescentes)
Analisados os resultados de uma amostra de 447 adolescentes com idades compreendidas entre os 12 e os 18 anos de idade, os investigadores obtiveram uma prevalência de infeção por Hp de 35,9%. A infeção por Hp encontra-se associada com a idade (>15 anos, OR=1,64 IC95%=1,1-2,5), área de residência (rural, OR=1,5 IC95%=1,1-2,3) e consumo de álcool (OR=1,34 IC95%=1,2-2,2).
A prevalência de dispepsia encontrada na amostra estudada foi de 22,4% e encontra-se associada à idade (>15 anos, OR=2,24 IC95%=1,2-4,1), área de residência (rural, OR=1,73 IC95%=1,1-3,4) e antecedentes familiares de doença gástrica (OR=2,8 IC95%=1,1-7,6).

O projeto conta com o financiamento do Instituto Politécnico de Viseu, Escola Superior de Saúde de Viseu, CI&DETS (Centro de Investigação do IPV) e Fundação para a Ciência e a Tecnologia, e o apoio do Agrupamento de Escolas do Sátão e do IPATIMUP – Universidade do Porto.

Carlos Pereira / Manuela Ferreira
Docentes da Escola Superior de Saúde de Viseu – IPV
essvgeral@essv.ipv.pt

Joaquim Amaral
Gabinete de Comunicação e Relações Públicas do Instituto Politécnico de Viseu
jamaral@pres.ipv.pt

Projecto na área da comunicação social digital, 24 horas por dia e 7 dias por semana dedicado ao distrito de Viseu

Pub