Câmara de Viseu prepara alienação da Gestin Viseu para “fugir” aos prejuízos

por Pedro Morgado | 2014.02.12 - 23:10

O executivo municipal liderado por Almeida Henriques discute esta quinta-feira o processo de alienação da participação que o município tem na Gestin Viseu, Parques Empresariais de Viseu S.A.. Caso esta proposta seja aprovada pela maioria, a edilidade viseense irá reaver do maior acionista, a Parque Invest, apenas três dos 23 lotes existentes no Parque Industrial do Mundão em troca da sua participação na sociedade que, desde a sua constituição em 2001, ronda já um investimento na casa dos 550 mil euros.

Apesar de já em Dezembro o Rua Direita ter alertado para esta realidade, uma grave situação financeira na Gestin Viseu, foram precisos cerca de 45 dias para que este executivo desse inicio ao processo de “venda” da sua participação o que, a acontecer, terá que ser obrigatoriamente aprovado e sancionado pela Assembleia Municipal.

Certo é que a situação da Gestin é grave. Os capitais próprios desta empresa têm hoje um valor negativo fruto dos continuados prejuízos e das perdas acumuladas. Em suma, graves dificuldades económicas e financeiras. Como resultado das “negociações com os restantes accionistas”, revelada em primeira mão pelo actual presidente na última assembleia municipal, esta é a única alternativa viável para que a “Cidade-Região” de Almeida Henriques possa cumprir o disposto na Lei n.º 50/2012 de 31 de Agosto: a alienação ou a extinção de empresas ou de empresas participadas de municípios ou de associações de municípios que nos últimos três anos tenham apresentado resultados líquidos negativos.

Segundo apurou o Rua Direita, em causa poderá estar mesmo a tentativa de isentar de responsabilidades futuras a autarquia de Viseu que, face à actual situação financeira da empresa, poderia vir a ser chamada a assumir a sua quota-parte nos prejuízos.

Se, por um lado, o mau momento que uma das entidades responsáveis pelos parques industriais do concelho atravessa revela a falta de visão dos últimos executivos municipais ao influir negativamente na vitalidade económica do concelho, mais espantoso é saber-se hoje que o valor da participação, o “tal” valor a receber, foi depreciado e desvalorizado em cerca de 140 mil euros devido às alterações decorrentes da aprovação do novo Plano Director Municipal (PDM) em Setembro do ano passado.

Um quarto do montante que a Câmara Municipal de Viseu devia agora receber e a que, eventualmente, teria direito esfumou-se no ar quando, depois de doze anos de” ciente e cuidada análise”, o novo PDM definiu o actual perímetro florestal de São Salvador “roubando” 81 mil m2 afectos à construção e à expansão do parque. Resultado, uma reavaliação em baixa no valor destes terrenos que tem consequências directas nos créditos que a Câmara Municipal possui sobre esta empresa.

Das duas alternativas que a Parque Invest colocou em cima da mesa, a entrega de um terreno a definir ou a transmissão de três lotes no Parque Industrial do Mundão com uma área total de cerca de 11 mil m2, retira-se uma conclusão simples: dos cerca de 400 mil a receber nem uma moeda de euro transitará para os cofres da autarquia.

Quando se sabe que o desenvolvimento económico é a “prioridade máxima” assumida pelo actual presidente, se olha ao futuro incerto da Gestin e se atende aos possíveis ganhos decorrentes da passagem destes três lotes para a alçada do município, cerca de 115 mil euros resultantes da diferença entre o valor contabilístico e um eventual valor de mercado, Almeida Henriques e o concelho têm agora mais três “bocados de terra” com infraestruturas no Mundão.

Nasceu na Covilhã. Licenciado em Comunicação Social pela Escola Superior de Educação de Viseu, ocupa parte do seu tempo nas áreas ligadas às novas TIC's.

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