Câmara de Viseu demora o dobro do tempo a pagar aos fornecedores

por Pedro Morgado | 2014.05.13 - 22:52

Depois do balanço francamente positivo feito pelo social-democrata Almeida Henriques em que se anunciava uma profunda “reorganização e a redução dos procedimentos internos” para melhorar “os prazos de resposta” da autarquia, a realidade pregou-lhe uma partida: o novo executivo camarário fechou as contas do último trimestre do ano a demorar, em média, 21 dias a pagar aos seus fornecedores (o dobro daquilo que o seu antecessor, Fernando Ruas, conseguiu fazer cumprir nos três trimestres anteriores).

De acordo com a lista divulgada no final de abril pela Direcção-Geral das Autarquias Locais (DGAL) nem mesmo somando os bons resultados alcançados pelo ex-autarca social-democrata Fernando Ruas aos resultados obtidos pelo debutante ex-Secretário de Estado Adjunto da Economia e Desenvolvimento Regional, António Almeida Henriques, Viseu deixou de desiludir. O concelho, quando se calcula a média dos quatro trimestres, demora em média 13 dias a cumprir com as suas obrigações perante os fornecedores, ocupando apenas o quarto lugar no distrito, quando se atende à mesma fórmula de cálculo, bem depois do município de Mortágua (7 dias), do de Sernancelhe (9 dias) e da autarquia de Penalva do Castelo (10 dias).

Apesar dos números agora divulgados apontarem para um cenário de relativa estabilidade no distrito, uma vez que 16 dos seus 24 concelhos conseguem saldar os seus compromissos dentro do prazo estabelecido pelo Governo no programa “Pagar a tempo e horas”, menos de 90 dias, esta realidade contrasta com as dificuldades sentidas em cinco municípios: Tarouca, Armamar, Tabuaço, Moimenta da Beira e Mortágua chegam a precisar em média de 307 dias para pagar aos fornecedores.

Neste extremo, ou seja, na lista das câmaras que mais tempo demoram a pagar, Tarouca é a autarquia que conseguiu melhor resultado: fechou o ano de 2013 com um prazo médio de pagamento de 179 dias.

Tabuaço surge em terceiro lugar – o segundo é ocupado por Armamar –, necessitando em média de 313 dias para saldar as suas contas junto dos fornecedores.

Também acima dos trezentos dias a autarquia de Moimenta da Beira deixou passar em média cerca de 368 dias entre o momento do fornecimento e o pagamento dos bens ou serviços. Já Santa Comba Dão registou um prazo médio de 414 dias ao longo do ano.

Importa lembrar que seis autarquias do distrito, Armamar, Lamego, Nelas, Oliveira de Frades, São Pedro do Sul e Vila Nova de Paiva, assinaram em novembro de 2012 contratos com o Governo, ao abrigo do Programa de Apoio à Economia Local (PAEL), uma linha de crédito de mil milhões de euros que visava permitir o pagamento de dívidas a curto prazo das autarquias vencidas num prazo de 90 dias.

Nasceu na Covilhã. Licenciado em Comunicação Social pela Escola Superior de Educação de Viseu, ocupa parte do seu tempo nas áreas ligadas às novas TIC's.

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