BE – Viseu e Coimbra exigem urgente requalificação do IP3

por Rua Direita | 2016.10.05 - 18:59

COMISSÕES DISTRITAIS DE COIMBRA E DE VISEU DO BLOCO DE ESQUERDA EXIGEM AO GOVERNO A URGENTE REQUALIFICAÇÃO DO IP3 

 

Só nos últimos oito dias ocorreram mais dois acidentes mortais no IP3, troço Viseu-Coimbra, já apelidado de “estrada da morte” devido aos inúmeros acidentes que ali têm ocorrido, desde que foi acabada de construir em 1998, com troços sinuosos, inclinações que chegam aos 7%  e na maioria do traçado com um perfil transversal de 2+1 vias, (em zonas planas 1+1 e só nas proximidades de Coimbra e Viseu apresenta o perfil 2+2) o que aliado ao intenso tráfego e percentagem de pesados, lhe confere um nível de sinistralidade absoluto elevado: uma média anual de 6 vítimas mortais.

O facto de alternar aqueles três tipos de perfil, conferiu a este troço a designação técnica de “via rápida”, o que, à época,   correspondeu ao sentimento dos utentes que anteriormente  tinham de percorrer a distância entre Coimbra e Viseu através de estradas muito mais sinuosas, como as famigeradas curvas do Luso, em ferradura.  Hoje, no entanto,  o IP3 que liga duas das principais cidades da região Centro, não passa de “uma via lenta” e perigosa.

Sucessivos governos têm adiado a necessária requalificação, limitando-se, nos princípios da década de 2000, a colocar em toda a extensão do troço entre Coimbra e Oliveira do Mondego, um separador central,  em cimento. Face aos protestos dos utentes, em 2004, o Secretário de Estado das Obras Públicas, Jorge Costa, anunciou que ou se faria a duplicação do IP3 ou uma nova ligação. Alternaram os governos, mas até hoje, nada foi feito.

As regiões afectadas começam a ficar fartas da política de “passa culpas” sempre que muda o governo, sem verem avançar uma solução satisfatória para as populações e para as empresas que utilizam o IP3.  A Infraestruturas de Portugal (IP) colocou no seu plano de investimentos 15-20, a requalificação do IP3, por troços que seriam portajados, para financiar a requalificação do troço seguinte. O BE imediatamente denunciou este projecto, que deixaria Viseu como uma ilha cercada de portagens por todos os lados.  Então, a poucos meses das últimas eleições legislativas, o governo PSD/CDS anunciou o projecto de uma auto-estrada entre Viseu e Coimbra, financiada exclusivamente por privados, a quem o Estado daria, de bandeja, um troço do IC12,  a troco da construção do troço do IC37, entre Viseu e Nelas. No entanto, segundo declarações recentes do secretário de Estado das Infraestruturas, Guilherme W. d’ Oliveira Martins,  a chamada “Via dos Duques” só terá o estudo prévio concluído em Fevereiro de 2017 e o estudo de impacto ambiental em Setembro de 2017, mas não se referiu à requalificação do IP3.

Já em Fevereiro de 2014, o secretário de Estado das Infraestruturas do anterior governo, Sérgio Monteiro, disse, em entrevista ao Jornal do Centro, que “se tivermos um IP3 requalificado e ao lado uma auto-estrada, ninguém vai pela auto-estrada e, portanto, não haverá privados que a queiram fazer”. Ou seja, com a direita no governo, assegurar o lucro dos negócios privados passa a prevalecer sobre o direito das populações à livre circulação em condições de segurança.  De facto, esta solução não resolverá o problema do IP3 detectado pelo Grupo de Trabalho para o IEVA:  “Corredor de elevada procura com níveis de tráfego muito intenso (18 mil veículos por dia) agravado pela percentagem de pesados”, o que provoca uma elevada sinistralidade (uma média de 6 mortos por ano). Ora, os pesados continuariam a optar pelo IP3 sem portagens, agravando o elevado índice de sinistralidade, se, entretanto, não se proceder à requalificação desta via. Só quem tivesse dinheiro para pagar portagens é que poderia dar-se ao luxo de circular em segurança pela auto-estrada.

Nestas circunstâncias, as Comissões Distritais de Coimbra e de Viseu do Bloco de Esquerda exigem do governo a requalificação urgente e prioritária do IP3, dotando-o das condições de segurança, comodidade e funcionalidade, sem portagens, independentemente da construção e concessão num futuro próximo de qualquer outra ligação Coimbra-Viseu, em perfil de auto-estrada.

(foto DR)

Projecto na área da comunicação social digital, 24 horas por dia e 7 dias por semana dedicado ao distrito de Viseu

Pub