As Europeias no distrito: o que fica do dia da “moção de censura”

por Pedro Morgado | 2014.05.26 - 00:59

Bastaram os cerca de 290 quilómetros que separam o hotel no Parque das Nações, onde o “staff” da Aliança Portugal montou o seu quartel-general, e esta capital de distrito para que as “dores” desta noite de má memória para os dois partidos da coligação não se fizessem notar. No distrito de Viseu, um bastião tradicionalmente laranja, a Aliança Portugal venceu em 20 dos seus 24 concelhos. Apenas Cinfães, Mangualde, Resende e São Pedro do Sul contrariam a “onda laranja” que varreu o distrito.

Contudo, a nível nacional, o Partido Socialista (PS) foi o vencedor das eleições europeias realizadas ontem. Como grande surpresa nestas eleições surge o Movimento do Partido da Terra, liderado pelo ex-bastonário da Ordem dos Advogados, Marinho Pinto. O grande vencedor da noite foi mesmo o PCP que ganha nova voz ao eleger três eurodeputados de uma assentada.

No distrito, a “sova monumental” avançada por Marcelo Rebelo de Sousa, a não superação da fasquia psicológica dos 30% que se verificou a nível nacional, não aconteceu. Aliás, apenas nos concelhos de Armamar, Carregal do Sal, Castro Daire, Cinfães e Lamego a coligação “Aliança Portugal” não atingiu os 35%.

No distrito de Viseu, o PSD/CDS-PP foi a força politica mais votada, com 39,93% dos votos. Seguiu-se o PS, com 31,18%; o MPT com 6,43%; a CDU com 4,95% e o Bloco de Esquerda com 2,85%. A abstenção cifrou-se nos 69,67%.

No concelho de Viseu, a PSD/CDS-PP ganhou com 40,91% dos votos. O PS foi o segundo partido mais votado com 26,53%. O MPT conseguiu 7,01% dos votos. A CDU concentrou 5,57% dos votos e o Bloco de Esquerda 3,84%. A abstenção foi de 68,59%.

Contudo, nem tudo são rosas para a coligação Aliança Portugal (PSD/CDS-PP). Quando se atende aos resultados obtidos pelos dois partidos nas eleições europeias de 2009, em que os resultados do PSD e do CDS somados representam 53,48% do eleitorado, verifica-se que esta coligação perdeu 13,55% no distrito. E não é por acaso: esta tendência pode ser observada em todos os concelhos que o constituem.

Desde as perdas menos significativas que a coligação PSD/CDS-PP regista em Vouzela (4,94%), em Viseu (9,04%) e em Vila Nova de Paiva (9,79%) até aos 18,41% que se verificam em Armamar, todos os outros concelhos registam resultados negativos acima dos 10%.

Nada disto altera o vencedor no distrito, a coligação Aliança Portugal (PSD/CDS-PP) venceu mesmo. Apenas confirma que, se o cartão vermelho ficou no bolso, o amarelo já anda na mão.

Os incidentes no distrito

O descontentamento da população de Mosteiro de Fráguas, concelho de Tondela, voltou a fazer-se sentir nestas eleições europeias. Depois de nas últimas autárquicas os portões da antiga escola primária terem sido fechados com correntes e as fechaduras bloqueadas numa tentativa clara de boicotar as eleições, “desta vez não houve cadeados”. “Óleo no chão e cola nas fechaduras” foram a forma encontrada pelas populações para corporizar um novo movimento de protesto contra a reforma administrativa, que agregou esta freguesia à de Vilar de Besteiros.

De acordo com o autarca de Tondela, José António de Jesus (PSD), no local esteve, de imediato, um serralheiro que conseguiu resolver a situação e, assim, tornar viável a abertura das mesas de voto à hora prevista (08:00).

Para além da tentativa de boicote em Mosteiro de Fráguas, a votação para as eleições europeias começou com atraso noutro ponto do distrito. Na freguesia de Magueija, no concelho da Lamego, “o presidente da Junta de Freguesia, Gilberto Silva (PS), só entregou os boletins de voto” pelas 08:45 da manhã, depois da intervenção da Guarda Nacional Republicana (GNR). De acordo com o presidente da Câmara de Lamego, Francisco Lopes (PSD/CDS), este protesto protagonizado pelo autarca em funções ter-se-á ficado a dever a “algumas rivalidades e a desentendimentos pessoais e políticos entre este e a anterior presidente da junta” relacionados com a distribuição de salas nesta antiga escola primária.

“O presidente da Junta propôs que uma sala ficasse para uma associação etnográfica a que ele pertence e a outra para a banda filarmónica, expulsando o rancho que já lá está instalado” ao qual a anterior autarca preside, explicou.

Nasceu na Covilhã. Licenciado em Comunicação Social pela Escola Superior de Educação de Viseu, ocupa parte do seu tempo nas áreas ligadas às novas TIC's.

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