Sernancelhe leva Aquilino ao Chiado

por Rua Direita | 2016.07.17 - 12:55

 

 

Este título é bem a imagem de um regresso àquela que foi durante anos o centro de inúmeras tertúlias e a fiel editora da obra de aquilino Ribeiro desde as suas primícias, “Jardim das Tormentas”, Aillaud & Bertrand, 1913.bertrand

Simbolicamente, foi a sede da mais antiga Livraria do mundo, fundada em 1732, que acolheu em Lisboa a apresentação da “aquilino”, revista literária da Câmara Municipal de Sernancelhe.

Após a sua apresentação há menos de dois meses no claustro do antigo Colégio da Lapa, onde Aquilino estudou de 1895 a 1900 e que originou a obra autobiográfica “Uma Luz ao Longe”, a revista está praticamente esgotada na sua 1ª edição, como esgotadíssima está há muito o seu número 1. Prova clara do interesse renovado de admiradores/leitores do Escritor do Carregal, que não se anacronizou como tantos dos seus coetâneos pares, 131 anos volvidos sobre o seu nascimento.

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Desta feita, a CMS por mão de seu presidente, Carlos Silva Santiago, levou a “aquilino” à capital. Apesar dos 40 graus de sufocante canícula, o espaço da Bertand Chiado que nos foi proporcionado encheu-se com cultores de aquilino Ribeiro.

Gente da sua terra, seus conterrâneos a residir/trabalhar em Lisboa, gente de Viseu, pessoas que não conhecíamos e muitos amigos.

Destacamos Mariana Machado, Jorge Coelho e esposa, Emílio Sumavielle (presidente do Centro Cultural de Belém) e esposa, Eduardo Boavida, editor da Bertrand, Alberto Correia, a escritora Isabel Mendes Ferreira, António Mota (Renascença/RFM), Vítor Rebelo, Hélder Lopes e tantos outros.

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Coube ao editor do Rua Direita e director da “aquilino” fazer a sua apresentação (que pode ler na íntegra na sequência desta notícia) e ao neto, Aquilino Machado a alocução de fundo que pode ler aqui… http://www.ruadireita.pt/largo-do-pelourinho/aquilino-ribeiro-na-bertrand-do-chiado-14281.html

Ao fim, foi servido um Terras do Demo de Honra dando azo e oportunidade a uma aprazível convivialidade da qual comungaram as mais de 60 pessoas que disseram “presente”.

A CMS por mão de seu presidente tem mais novidades para breve. Também o editor do RD as tem, conjuntamente com o ex-ministro e beirão de gema, Jorge Coelho.

Como sempre, a CMS está de parabéns!

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Nota:

Apresentação do director da “aquilino”:

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Ilustres Aquilinianos

Fará por estes próximos dias 113 anos que o jovem Aquilino chegou a Lisboa, para dela e até seu fim se enamorar.

Espantou-se com a grandeza do mar que era o Tejo; deslumbrou-se com a inauguração da estátua de Eça de Queirós, no Largo do Barão de Quintela; alarmou-se com a cara de aljorce da dona da casa de hóspedes, no 3º andar da Rua do Crucifixo – persecutória coincidência toponímica para quem vem de uma intempestiva saída do seminário de Beja –; e, já quase no final do ano teve ainda a rara oportunidade de apreciar a chegada de Afonso 13, em visita oficial ao seu parente de sangue e crenças, D. Carlos, que não foi orago do oratório do indómito moçoilo, das verças recém-chegado, com a rebeldia a ressumbrar estuante do corpo todo.

 

Estarmos hoje aqui na Bertrand e no Chiado, neste tão simbólico lugar ao qual Aquilino dedicou uma longa fidelidade de meio século de escrita, é-nos tão simbolicamente solene quão gratificante. Porquê?

De entre muitas invocáveis uma só razão bastaria: A de que Aquilino perdura vivo nesta tão sua frequentada casa, não se tendo anacronizado como tantos de seus coetâneos pares, antes congregando, ano após ano, uma cada vez maior corte de fiéis seguidores e crescentes cultores.

Provam-no as reedições da sua obra concretizadas por estes competentes livreiros.

Prova-o a demanda na sua rota telúrica por Sernancelhe, pelo Carregal, por Soutosa, por Tabosa, pelo S. Francisco, pelo Freixinho, pela Lapa…, de inúmeros peregrinos literários, investigadores, estudiosos, curiosos, leitores e admiradores, gente que busca incansável o seu axis mundi.

Provam-nos os mais de três centos de ensaios, artigos, teses de mestrado e doutoramento publicados… Os colóquios, os filmes, os documentários as traduções… As estátuas e as pinturas, cada vez mais recorrentes e inspiratórias.

Estq 3ª revista “aquilino” que hoje aqui se apresenta é também disso uma evidência e comprovada constatação.

Deixai-nos dela falar um pouco…

Nasceu sob a égide da Câmara Municipal de Sernancelhe e, tão integralmente monotemática, quanto o enuncia seu minimalista título.

Tem como objectivo e única missão “falar aquilino”. Divulgar a sua vida e difundir a sua obra.

Aos seus dois primeiros números conseguimos trazer tantos de quantos têm voz neste domínio… Dos saudosos Urbano Tavares Rodrigues e Aquilino Ribeiro Machado a nomes como José Carlos Seabra Pereira, António Manuel Ferreira, Carina Infante do Carmo, Luís Vidigal, Serafina Martins, Alberto Correia e tantos outros…

Desta feita, mais de meio século volvido sobre a modelar fotobiografia publicada por outro grande mestre das Letras, Fernando Namora (1963), achou-se ser oportuno revisitar, limitando os textos autorais ao essencial mas com muita fotografia, o exemplar percurso vivencial de Aquilino.

Contámos desde o primeiro minuto com o apoio de seus familiares aqui personificados neste tão filho de seu Pai, Aquilino Machado, que nos franqueou como um beirão as portas do nº 7 da Rua António Ferreira, no Bairro de S. Miguel.

Contámos com o incondicional apoio de Carlos Silva Santiago, o presidente da autarquia sernancelhense.

Contámos com o saber porfiado de Alberto Correia, um devotado mentor do “fogo aquiliniano”.

Contámos com o carinho e estímulo documental do Sr. Dr. Manuel Sá Marques, sobrinho do Escritor.

Contámos com o apoio do Paulo e da Cristina no longo entretecer gráfico de cada página e, pouco a pouco, com dúvidas, hesitações, precisões, datações, atopias, identificação de personagens e figurantes, avanços e recuos, discussões animadas… a “aquilino” foi ganhando a forma desta fotobiografia.

De nosso pessoal acervo fotografámos a bibliografia nela constante; do espólio familiar refotografámos duas centenas de fotografias, algumas com mais de um século de existência, seleccionadas, seriadas, tratadas, enquadradas, contextualizadas, retiradas, recolocadas, pensadas, repensadas, ponderadas, reponderadas…e nem sabemos que mais vos dizer!

Na FAR, Fundação Aquilino Ribeiro, em Soutosa, encontrámos alguns outros documentos aqui constantes.

Dividimos o material disposto naquela que achámos ser uma lógica de 4 amplas sincronias: de 1885 a 1907, os primiciais anos, onde se entrevia já decisiva “Uma Luz ao Longe”; de 1908 a 1932, os anos da mais denodada pugna e exílios de “O Homem que matou o Diabo”; de 1933 a 1963, a estrénua luta num “Batalha sem Fim” e, finalmente, de 1963 a 2007, o tempo da justíssima consagração de “Um Escritor Confessa-se”.

No editorial refere-se a dado passo:

“Algumas falhas surgirão aos olhos mais atentos dos sapientes críticos sobre a matéria. Estamos porém certos, pela integridade das suas vozes, que além das palavras passarão aos actos e nos proporão melhor e mais bem conseguido trabalho.

O mundo de Aquilino é inesgotável e ao construirmos este número, com a profusão de documentos a que fomos acedendo, mais renovadas pistas e ideias surgiram. Poderão ser objecto de futuros trabalhos.”

Estas duas verdades são fortalecidas quando menos de dois meses após ver prelo, está prestes a esgotar-se esta 1ª edição, assim como há muito está esgotadíssimo o seu nº 1 e já temos em geração, com o Sr. Dr. Jorge Coelho, obra sobre a detenção de Aquilino em Contenças, concelho de Mangualde, no ano de 1928, ao tempo da Revolta do Castelo, em Lisboa.

Concluimos com um excerto reiterativo do atrás dito, extraído do prefácio lavrado n’ “O Servo de Deus e a Casa Roubada”, escrito na Cruz Quebrada, no decurso da Primavera de 1941:

“As escolas passam, o artista, quando o é com dignidade, fica…”

Esta tão lapidar quão premonitória asserção escrita há 75 anos resume, substancia e clarifica o nosso estar hoje aqui.”

 

(fotos de Vítor Rebelo e Renata Aguiar)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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