António Gil – candidato do BE por Viseu

por Rua Direita | 2015.07.21 - 14:26

 

BIOGRAFIA DE ANTÓNIO GIL

 

Nascido em Angola. Vindo para Portugal em 1974. Iniciou e concluiu os estudos secundários em Viseu. Cursou Arquitectura na ESBAP, mais tarde FAUP  e na FAUTL. Professor do 3ºCiclo. Poeta, Ficcionista, Cartoonista (sob o nome Jo). Publicou «a céu aberto» (Prémio de Revelação APE de 1999, Edição Diffel 2002), Canto Desabitado (edição Ave Azul 2006).

Indústrias do Absoluto (edição Areias do Tempo 2011), Obra ao Rubro (Lua de Marfim, 2012) e Oásis (Edições Esgotadas 2014), Prémio de Revelação de Poesia da Associação Portuguesa de Escritores (1999) Prémio Animarte-Viseu (2001).

Encenação da Peça «Pisa-Relva» pelo Teatro de Ferro.

Colaborou nas revistas ZUT, Plágio, Ave Azul e nas Antologias Regresso à Condição (Viseu Ut Pictura Poesis, edição IPV 2001)e Rio de Doze Águas (Coisas de Ler 2012).

Antes de 2008 o envolvimento político de António Gil gravitou sempre em torno de causas normalmente transpartidárias a que aderiu, abrangendo activistas com visões sociais diferentes. Participou nas actividades políticas a nível local, como activista anónimo, nas cidades em que viveu, recolhendo assinaturas para petições ou participando em campanhas e manifestações pelo fim do apartheid na África do Sul, pelas independências de Timor-Leste, Palestina, Sahara Ocidental, pela despenalização do aborto, pelo fim do sigilo bancário.

Em 2010, sobretudo graças à internet, entrou em contacto com os movimentos nas redes sociais e assim veio a participar na convocatória e organização das manifestações do grupo informal Que-Se-Lixe-a-Troika de Viseu. Integrou e integra movimentos associativos locais.

Aceitou o convite do Bloco de Esquerda para construir uma lista por considerar a semelhança de pontos de vista na análise da situação actual do país, da Europa e das relações internacionais, no intuito de trazer mais pessoas da sociedade civil para a discussão e a acção políticas.

 

 

Apresentação da Candidatura do Cabeça de Lista do BE pelo Circulo de Viseu, António Gil

“1 – O globo

A pergunta mais frequente no caso de uma candidatura como esta é a da sua razão e formula-se na sua forma mais imediata na pergunta: como é que tu te meteste na política?

Bom, uma resposta possível é esta: temos o Sahara, a Antártida, o deserto de Gobi, Neguev, que são alguns lugares onde a actividade política é inexistente.

Em compensação, nos lugares mais povoados há uma intensa e por vezes até frenética actividade política.  Parece então que onde há populações humanas há sempre política.  E isso é assim hoje e tem sido assim desde sempre.

 

2 – A ampulheta
Surge depois uma pergunta mais específica: porquê agora, exactamente agora? Bom aqui tenho que dizer que não é de agora que estou na política. Nem cada um de vós, está desde agora na política, jamais nenhum de nós deixou de estar nela, com ela ou pelo menos sob os seus efeitos. A globalização não diminuiu o impacto da política na vida dos cidadãos, pelo contrário, ampliou-o a uma escala nunca vista. O Tempo tornou-se ele próprio uma mercadoria, tal como a mão de obra e o próprio capital. Tempo e capital aliás confundem-se na fórmula que converte um no outro: tempo é dinheiro, diz-se.  Assim, o dinheiro acelera muitas coisas e logrou expandir o neoliberalismo a toda a Europa e a outros pontos do mundo, com toda a sua fúria destruidora e o seu cortejo de desumanidades: a depredação de recursos, a dizimação das espécies, a contaminação das águas, grandes corporações agrícolas e suas práticas de ecocídio. A ampulheta lembra-nos sempre que também para cada um de nós o tempo escasseia. é portanto preciso algum planeamento. E isso leva-me a este objecto.

 

3 – Uma agenda

Mas então porque aceitei este desafio do bloco? Eis a pergunta mais directa que outros me fazem: vejamos: para trás ficou a defesa de um grande número de causas comuns, uma leitura semelhante da realidade. Nas questões de Relações Internacionais, na defesa intransigente do Direito Internacional, única garantia das nações militar e economicamente  indefesas,   Assim foi e tem sido também nas questões europeias, como no que concerne aos problemas locais, aos valores partilhados ( e passo a enumerar alguns:  a afirmação da soberania dos povos,  a solidariedade internacional, o respeito pelas minorias, a paridade social, a não-descriminação, as preocupações ecológicas, a preservação do património e a  valorização da cultura, em todas as suas vertentes. São suficientes pontos em comum para prosseguirmos nesta marcha que sempre foi na mesma direcção.
4 – Um copo de água

Uma expressão popular muito repetida diz-nos que um copo de água não se nega a ninguém. A água é um bem essencial à vida, à nossa e à de todas espécies vegetais e animais de que dependemos. Logo importante também para a agricultura e a pecuária, mesmo se de sobrevivência. A água não é fabricada em nenhum complexo industrial, é mesmo das poucas coisas na nossa vida que cai do céu e jorra da terra. Hoje a água já é encarada por muitos como um bem mercantil, transacionável para benefício de poucos e prejuízo de muitos.  É o mais gritante dos exemplos da febre privatizadora que se globalizou e até nós chegou, sendo já um problema grave nos concelhos do Planalto Beirão, abrangidos pela Empresa Águas do Planalto, e estando no município de Viseu o caminho aberto para seguir o triste exemplo.  Uma ideologia assim, capaz de atentar contra um direito humano básico não se deterá diante de nada. E então? vamos deprimir? A não invertermos esta tendência sim, o distrito deprimirá. Mais uma despesa: os comprimidos.
5 –  Comprimidos

Ao mesmo tempo que a água e o transporte encarecem, outros problemas se colocam com alguma acuidade às várias comunidades do distrito: postos de saúde e demais serviços públicos extintos, escolas fechadas, o êxodo interno ou externo a que se junta a precariedade laboral e o desemprego endémico, são factores que conduzem ao despovoamento e desenraizamento de não poucas comunidades. Não são apenas os doentes assim abandonados que estão doentes: é uma certa visão política que está doente, prestes a cegar quando abandona as pessoas à sua sorte. O encerramento destas pequenas unidades, desencoraja a fixação de novos habitantes e dificulta a vida de quem fica. E para quem fica, hoje em dia, resta um rádio ou uma tv mas notícias raramente são boas. E as que chegam pelo correio?…

 

6 – Uma carta de cobrança

Ah sim, porque a política atravessa-nos nos portais electrónicos das portagens, espera-nos a cada esquina, e sempre que alguém nos traça o destino num longínquo gabinete seja aqui em Portugal, seja na Europa, seja  ainda em lugar mais longínquo, disfarçado de medida económica, esse gesto é político.  A política entra-nos casa adentro sem bater portas, por qualquer fresta da casa: uma ranhura de caixa de correio contendo contas de água, luz, gás ou telecomunicações para pagar, eis a política explodindo-nos na cara, Pouca coisa nos cai ou sai do bolso, no prato, no copo, no quotidiano, que não seja um produto de política. Pura e dura!
7 – Um par de botas

Chegados a este ponto, e retomando a pergunta colocada no início desta apresentação, subentende-se que podendo assumir uma posição passiva e deixar que seja a política a confrontar-me para me ditar as suas leis decidi ir ao encontro dela, tentando transportar para o seu interior, como aliás o fazem todos os companheiros, ideias novas capazes de cumprir os sonhos de sempre: comunidades constituídas por cidadãos críticos e participativos, coisa que jamais se conseguirá sem activismo político.  Só com a participação cidadã na vida política activa poderemos aspirar a uma sociedade mais transparente e por isso também mais justa, mais equilibrada, cooperativa e bela e é por acreditar nisso que esta candidatura é também um apelo a que outros cidadãos participem activamente, na construção de soluções que melhor sirvam o colectivo. Assim saibamos colocar-nos em marcha, espontânea, onde cada um possa seguir ao seu ritmo. E citando os versos de uma canção de Jorge Palma,

“Enquanto houver estrada para andar,

a gente vai continuar, a gente vai continuar.

Enquanto houver ventos e mares

a gente não vai parar, a gente não vai parar. ”

 

Viva a Europa das nações

Viva Portugal

Vivam os Portugueses

Viva o Distrito de Viseu e suas comunidades.”

 

Projecto na área da comunicação social digital, 24 horas por dia e 7 dias por semana dedicado ao distrito de Viseu

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