Ano Europeu para o Desenvolvimento: Abril é dedicado à Saúde

por Rua Direita | 2015.04.07 - 15:16

Durante o Ano Europeu para o Desenvolvimento, cada mês é subordinado a um tema relacionado com as questões do desenvolvimento. O mês de abril é dedicado à Saúde.

A Saúde é um direito humano básico e que deveria ser comum e acessível a todos. No entanto, há grandes desigualdades no seu acesso e a sua interligação com pobreza e o desenvolvimento é clara: a dificuldade no acesso a cuidados básicos de saúde facilita a prevalência de doenças nas populações, o que tem um impacto negativo na produtividade das pessoas, na sua capacidade e disponibilidade para a aprendizagem, nas suas perspetivas de futuro, na evolução demográfica das sociedades e na capacidade de poupança das famílias. A Saúde é, inegavelmente, uma condição para o desenvolvimento.

“É economicamente inteligente apostar na saúde. O desenvolvimento económico depende da existência de um sistema de saúde adequado às necessidades de cada população, pelo que um investimento nesta área terá reflexos positivos no fortalecimento das economias”, diz Ana Paula Laborinho, presidente do Camões – Instituto da Cooperação e da Língua. No âmbito do financiamento ao desenvolvimento, a saúde é uma área bastante atrativa para investidores por ser um dos setores mais eficazes em termos de custos-benefícios. Este investimento tem permitido grandes avanços no setor, em particular ao nível da vacinação e da disponibilização de medicamentos a preços mais acessíveis.

Há uma multiplicidade de fatores que é importante ter em conta por serem determinantes da Saúde: a educação, a cultura, a nutrição, a água e o saneamento, os comportamentos individuais e a proteção social têm uma grande influência nas condições de saúde das populações. Por isso, devem ser tidos em consideração na preparação das políticas, planos e programas de ação de saúde, sendo que a educação deve estar em destaque: crianças saudáveis têm melhores resultados escolares e crianças com melhores níveis de educação serão adultos mais saudáveis.

“É importante que haja uma consciencialização de que a Saúde, mais do que uma despesa, é um investimento e uma responsabilidade dos Estados e das sociedades. O acesso a serviços de Saúde de qualidade deve ser transversal a todos os indivíduos, independentemente de quem sejam, onde vivam ou da sua situação financeira”, afirma Cláudia Semedo, embaixadora do Ano Europeu para o Desenvolvimento.

 

A Saúde é uma boa forma de se medir o progresso do mundo na erradicação da pobreza, crescimento inclusivo e equidade” – Margaret Chan, Diretora-Geral da Organização Mundial de Saúde

 

 

FACTOS & DADOS SOBRE O TEMA DE ABRIL

 

Pobreza, Desigualdades e Proteção Social

Mais de mil milhões de pessoas no mundo vivem numa situação de pobreza multidimensional com privações cumulativas na saúde, educação e nível de vida. Calcula-se que 40% dos pacientes hospitalares peçam empréstimos ou vendam bens para suportar as despesas e cerca de 35% caem em situação de pobreza depois de pagarem as suas despesas de saúde.
Os países desenvolvidos têm, per capita e em média, 10x mais médicos, 12x mais enfermeiros e parteiras e 30x mais dentistas do que os países mais pobres.
A implementação de um sistema de Segurança Social básico nos países mais pobres custaria menos de 2% do PIB global. A proteção social na doença evitaria que muitas famílias caíssem em situação de pobreza quando, por problemas de saúde, ficassem impedidos de trabalhar.
Saúde infantil

A subnutrição causa atualmente a morte a mais de 3 milhões de crianças por ano. Todos os anos morrem 1.5 milhões de crianças com menos de 5 anos nos países mais pobres devido a doenças evitáveis através da vacinação.
Em cada 5 mortes de crianças com menos de 5 anos, 4 acontecem na África Subsaariana e no Sudeste Asiático. Mesmo assim, a taxa global de mortalidade de crianças com menos de 5 anos caiu de 90 em cada 1000 para 48 em cada 1000, de 1990 a 2012.
Mulheres

Em muitos países, continua a existir grande discriminação e constrangimentos diversos no acesso das populações mais pobres à Saúde, particularmente das mulheres. Globalmente, as meninas e mulheres têm menos acesso a cuidados de saúde.
Apenas 68% dos nascimentos nas regiões em desenvolvimento são assistidos por pessoal de saúde qualificado. Por dia, morrem 800 mulheres por complicações associadas à gravidez e ao parto (99% em países em desenvolvimento), 90% das quais evitáveis pela prevenção. E por cada morte materna, cerca de 20 mulheres sofrem lesões ou incapacidades graves.
Em 2015, a necessidade de planeamento familiar entre mulheres casadas deverá crescer para mais de 900 milhões, na sua maioria devido ao crescimento populacional, alertando para o muito que ainda há a fazer no âmbito da saúde sexual e reprodutiva.
HIV-SIDA

Apesar dos esforços que vêm sendo desenvolvidos, nomeadamente com as campanhas de educação para a saúde e sexualidade e a generalização do uso de medicamentos, o HIV-SIDA permanece um flagelo a nível mundial e, no continente africano, continua uma das principais causas de mortalidade – 70% do total de pessoas infetadas vive em África.
De acordo com a ONU, existem 35 milhões de infetados em todo o mundo, dos quais 19 milhões não sabem que têm o vírus.
Apesar dos progressos (com uma diminuição de 38% nos novos casos, entre 2001 e 2014), cerca de 2.5 milhões de pessoas ainda são infetadas todos os anos. A cada minuto, uma jovem mulher é infetada; as mulheres têm menores condições de acesso a informação e serviços de prevenção do VIH.
O número de pessoas com tratamento está a subir. Em 2012, a medicação antirretroviral foi administrada a 9.5 milhões de pessoas nas regiões em desenvolvimento.

Projecto na área da comunicação social digital, 24 horas por dia e 7 dias por semana dedicado ao distrito de Viseu

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