ANCS Tomada de Posição sobre a Operação Censos Sénior

por Rua Direita | 2015.05.20 - 15:15

 

 

Com a Operação Censos Sénior, a GNR coloca o dedo numa das grandes feridas sociais do nosso País. Em quatro anos passou-se de pouco mais de 15.596 idosos identificados como vivendo isolados, em 2011, para cerca de 39.216 mil em 2015. Trata-se de um problema complexo que exige uma resposta urgente.

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Portugal é hoje um dos países com índice de pessoas com mais de 65 anos mais elevado no mundo. Segundo os Censos 2011 em Portugal Continental, das 1.949.557 pessoas com mais de 65 anos, quase metade vivem sozinhas (433.901 entre os 75-79 anos; 301.251 entre os 80 – 84 anos; e 243.137 com mais de 85 anos).

Somos também um país com grandes limitações de recursos, mas onde se tem recorrido em demasia a soluções com grande consumo de recursos, nomeadamente ao internamento de pessoas e à utilização de mão de obra intensiva.

A resposta social de empurrar os idosos para os lares da terceira idade revelou ser ineficaz, extremamente cara e muitas vezes socialmente nefasta. Sem contar com os fenómenos extremos de abandono ou a perda efetiva de autonomia, as pessoas preferem viver nas suas próprias casas, de forma independente, mesmo estando sós.

Desta forma, não é possível manter o modelo atual para cuidar da população mais idosa, sendo necessário encontrar novas abordagens que permitam apoiar as populações a terem uma vida mais longa, mais saudável e mais feliz.

A tele-assistência tem sido utilizada em muitos países como um primeiro nível de apoio, podendo ser complementado posteriormente com Centros de Dia ou Apoio Domiciliário e só em caso de estrita necessidade é que se recorre ao internamento em lares.

É possível com este tipo de serviço, mesmo em idades avançadas, dar apoio de forma a permitir que as pessoas idosas permaneçam o mais tempo possível em casa, evitando assim o internamento.

Durante as últimas décadas, a indústria de tele-assistência e tele-saúde tem evoluído no grau de utilização em diversos países da Europa. Apesar de Portugal ser um país que normalmente acompanha as mais modernas tecnologias, nesta área tem claramente contrastado com os demais países da Europa Ocidental, não existindo expressão relevante da sua utilização.

Existem muitos estudos científicos nesta área. O mais relevante, com o nome do Whole System Demonstrator (WSD), foi feito no Reino Unido entre 2008 e 2011, pelo Ministério da Saúde, com 6.000 pessoas. O grupo foi dividido em dois, um com o apoio de tele-assistência e o outro para comparação com um padrão “normal”.

As principais conclusões foram que o uso da tecnologia de tele-saúde e tele-assistência contribuiu para as pessoas se sentirem melhor, porque sabem que estão protegidas em caso de necessidade, e que a tecnologia contribui para reduzir 15% das emergências, menos 20% de internamentos de emergência, menos 14% nas admissões efetivas, menos 14% em internamentos hospitalares e reduziu também a taxa de mortalidade do grupo com o serviço em 45%.

A ANCS – Associação Nacional de Cuidado e Saúde está a estudar, com um conjunto de municípios, a implementação do modelo de apoio mais avançado a nível internacional para apoio das suas populações idosas, conjugando o apoio humano com a tecnologia mais avançada em tele-assistência e tele-saúde. Nos projetos participam também as IPSS locais, unidades de saúde familiar e outras entidades locais envolvidas no apoio social. A ANCS procura assim dar o seu contributo para mudar o paradigma atual, proporcionando às populações idosas uma vida mais longa, mais saudável e mais feliz.

 

ANCS – Associação Nacional de Cuidado e Saúde

 

Projecto na área da comunicação social digital, 24 horas por dia e 7 dias por semana dedicado ao distrito de Viseu

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