Almeida Henriques, do “Silêncio Cúmplice à Histeria Justiceira”

por Rua Direita | 2016.07.20 - 17:39

A Associação de Utentes e Sobreviventes do IP3/A24 luta desde 1999, juntamente com as famílias dos sinistrados e as populações, pela beneficiação profunda do Itinerário Principal que liga Coimbra a Viseu, propondo e conseguindo intervenções, como a da colocação do separador central de betão em alguns troços, que vieram minorar os efeitos trágicos dos frequentes acidentes ali ocorridos.

Neste longo e penoso caminho temos recebido apoios de variados sectores da sociedade, incluindo de deputados, autarcas e mesmo de governantes e encetado diferentes formas de sensibilizar os responsáveis governamentais para a necessidade absoluta de rectificar o traçado, introduzindo 4 faixas em toda a extensão do IP3, com um perfil de auto-estrada sem portagens.

Daí a nossa estupefacção com os apelos bombásticos do Senhor Presidente Almeida Henriques, veiculados pela comunicação social, qual justiceiro de espada em riste, quem sabe se por efeito perverso da leitura aturada do jornal onde escreve, desafiando os familiares das vítimas a juntar-se e a colocar o Estado português em tribunal.

Neste percurso de quase duas décadas que a Associação de Utentes e Sobreviventes leva de intervenção consequente, nunca demos conta do empenho do Senhor Presidente da Câmara de Viseu a favor da reabilitação do IP3 (e teria sido muito bem vinda), nem da sua solidariedade pública com “as famílias” das “vítimas”. E casos trágicos idênticos aos de agora não faltaram nos últimos quatro anos.

Aproveitar mais um acidente mortal no IP3, o trigésimo sexto em 10 anos, para fazer política partidária e arvorar-se em paladino da justiça para as vítimas do IP3, é um acto cínico, eivado de oportunismo, que nem a militância serôdia nesta causa desculpa.

Todos entendemos o seu anterior silêncio. Quando diz “que até hoje nenhum governo teve a capacidade de resolver um problema tão grave”, fala verdade, mas quer fazer esquecer que ele próprio foi recentemente governante, logo, também corresponsável pelas tragédias, e antes tinha sido longos anos deputado, apoiante incondicional de governos do seu partido, principais responsáveis pela falta de soluções para a que ele agora apelida de “estrada da morte”.

E a propósito de “razões puramente ideológicas”. Afinal a solução proposta pelo autarca de Viseu, não é a da beneficiação do IP3, para favorecer as populações adjacentes e evitar mais vítimas, mas a da construção da dita “Via dos Duques” (cujo traçado merece a nossa reprovação), com portagens, pois claro. Assim, quem tiver dinheiro viajará em segurança pela privada auto-estrada ducal, quem não tiver, pode continuar a morrer numa qualquer curva do IP3 público. É caso para dizer que nas cartas e nas vias de comunicação: “só nos saem duques”!

A Associação de Utentes e Sobreviventes do IP3/A24 revê-se na posição assumida pela CIM da Região de Coimbra, quando esta afirma que “não obstante a necessidade de construção de uma nova via entre Coimbra e Viseu, é prioritária e urgente a reparação e beneficiação do actual IP3, de modo a diminuir os elevados índices de sinistralidade e a garantir que esta via estruturante para o país continue a cumprir as suas funções”.

Penacova, 20/07/2016

A Associação de Utentes e Sobreviventes do IP3/A24

 

(Foto DR)

Projecto na área da comunicação social digital, 24 horas por dia e 7 dias por semana dedicado ao distrito de Viseu

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