Académico de Viseu “vence” nos descontos

por Pedro Morgado | 2014.04.26 - 20:30

A dúvida acabou. Foi já depois do minuto 90 que o Académico de Viseu conseguiu arrancar uma das vitórias mais suadas desta temporada ao deitar por terra a intenção do atual executivo da Câmara Municipal de Viseu de revogar o contrato programa de desenvolvimento desportivo no valor de 50 mil euros assinado por Fernando Ruas em julho de 2013 e reduzir outras subvenções acordadas com o clube.

Segundo apurou o Rua Direita, das “negociações” entre as partes saiu um acordo de cavalheiros: Almeida Henriques, presidente da Câmara Municipal de Viseu, irá continuar a apoiar o clube na sombra daquele que o antecedeu enquanto António Silva Albino, Presidente da Direção do Académico de Viseu Futebol Clube, pode agora dormir mais descansado – o clube vai receber até ao próximo mês de junho 120 mil euros provenientes dos cofres da autarquia que irão ser liquidados em três momentos distintos: 72 mil euros à data da assinatura do protocolo de colaboração já aprovado pelo atual executivo, 24 mil euros até aos primeiros dias de junho e o restante após a conclusão do programa a desenvolver pelo Académico. E, não é só. A este apoio financeiro destinado à realização de um programa cultural somar-se-ão, ainda este ano, mais 131 mil euros referentes à 2ª fase dos contratos programa de desenvolvimento desportivo de 2014.

Contudo, desenganem-se aqueles que pensam que nada aconteceu. Certo é que tendo como pano de fundo a lei n.º 75/2013, de 12 de Setembro, que veio estabelecer novas regras à atuação do poder local, a edilidade viseense fez tábua rasa dos compromissos anteriormente assumidos e “rasgou” dois contratos programa que, cumprindo-se os prazos determinados, já deviam ter sido executados na sua totalidade. O primeiro, firmado pelo executivo liderado por Fernando Ruas, no dia três de abril de 2013, no valor de 244 mil euros contemplava uma comparticipação financeira de 193.458 euros destinada a apoiar a participação do clube nas provas federadas de futebol, andebol, natação e atletismo, dos quais apenas 49 mil euros terão entrado nos cofres do clube, e ainda outros 50.823 euros em isenções no pagamento pela utilização de instalações desportivas municipais. O segundo contrato, aprovado poucos dias antes de estalar a polémica em torno dos “cheques-missa” de Ruas, “entregava” ao clube 50 mil euros, por este ter sido, ao que tudo indica, promovido a um dos escalões principais do futebol nacional, a II Liga, foi revogado na última reunião do executivo municipal que teve lugar na passada semana.

Um “novo ciclo”

Muita coisa mudou desde a saída de Fernando Ruas da presidência. Os viseenses percebem isso todos os dias. A ação do município sustenta-se cada vez mais na palavra e trabalha afincadamente a visibilidade nacional da marca “Viseu” à qual espera ancorar a figura do seu atual presidente. A cidade deixou de ser “construída” para um “conjunto de cidadãos” que aqui habitam e passou a ser entendida como uma “marca” da qual se espera colher “dividendos”.

Assim, o Académico de Viseu, aquele que esteve até à última da hora para ser uma “vítima” das circunstâncias, quase ignorado na hora de planear o “investimento” camarário para o próximo ano, ainda foi a tempo de refazer as contas daquilo que tinha de receber. E, teve uma recuperação notável nos momentos finais do “jogo”.

Depois de ter deixado escapar o contrato com a Benfica TV que lhe garantiria mais 50 mil euros do que aquele que acabaria por assinar com a Olivedesportos respeitante à cedência dos direitos de transmissão televisiva naquele episódio que Domingos Soares de Oliveira, o administrador financeiro da SAD encarnada, classificou como estranho ao reafirmar que foram oferecidos “contratos melhores do que têm hoje. Se [assinaram com a Olivedesportos e] não foi por dinheiro, foi por outra razão qualquer”, o Académico de Viseu conseguiu encaixar mais 56 mil euros neste “encontro de contas” com a Câmara Municipal de Viseu.

A herança

Para já, o executivo liderado por Almeida Henriques, quando comparado com o edil que o antecedeu, apenas deu pequenos passos tímidos no sentido de provar o seu “amor” pelas instituições culturais, desportivas e recreativas que têm um papel ativo no desporto viseense. Na semana que agora termina bateu à porta do Académico de Viseu e, de uma penada só, entregou 251 mil euros. Longe, muito longe do seu antecessor. Em abril do ano passado, Fernando Ruas distribuía 492 mil euros por 24 associações.

Nasceu na Covilhã. Licenciado em Comunicação Social pela Escola Superior de Educação de Viseu, ocupa parte do seu tempo nas áreas ligadas às novas TIC's.

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