A palavra a João Azevedo, Acácio Pinto e António Borges

por Rua Direita | 2014.07.24 - 13:44

Agitadas estão as águas lá para os lados do Largo do Rato, sede do Partido Socialista (PS), enquanto se “afinam” os últimos pormenores para a eleição do novo líder do partido num acto eleitoral nunca visto em Portugal, as primárias do PS. Neste frémito que varre o país, Viseu não foge à regra. Na Federação Distrital do Partido Socialista procura-se acompanhar as “tendências” e antecipar a nova liderança que irá sair destas eleições primárias: o “eterno” António José Seguro ou António Costa. Um deles será o vencedor.

Na sequência da última reunião da Comissão Política Distrital do Partido Socialista João Azevedo, o presidente da Federação do PS Viseu não se recandidatou ao cargo. Conforme oportunamente noticiámos, surgiram duas candidaturas: a de António Borges, ex-presidente da Câmara de Resende e coordenador das últimas autárquicas e Acácio Pinto, ex-governador Civil e deputado pelo distrito de Viseu.

Para perceber quais os contornos deste processo fomos ouvir os principais envolvidos. João Azevedo, actual presidente da Federação do PS Viseu que cessará as suas funções em finais de Setembro, teve direito à primeira palavra.

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João Azevedo… a questão que se impõe: na última reunião da Comissão Política Distrital não se recandidatou ao cargo de presidente da Federação Distrital do PS. Que o levou a essa decisão?

Esta decisão não tem nada de controverso. Decorre da minha concepção da política e tem a ver com o conjunto alargado da minha actividade, neste contexto. Como sabe, sou o presidente da Câmara de Mangualde onde tenho os meus munícipes, a minha terra e a obra que diariamente faço com a minha equipa. Em termos de praxis política Mangualde é a minha principal missão de momento.

Para além disso, integro o Comité Europeu das Regiões, em Bruxelas, conjuntamente com António Costa, o presidente da Câmara de Lisboa, Basília Horta, presidente da Câmara de Sintra, Ribau Esteves, presidente da Câmara de Aveiro e Álvaro Amaro, presidente da Câmara da Guarda, entre outros.

Sou também o presidente do Conselho Regional do Centro, organismo aglutinador das cerca de 100 entidades deste território.

Aceitei outro desafio recentemente, o de ser o mandatário distrital de António Costa para a eleição de onde sairá o futuro líder do PS.

O meu dia, por mais que me esforce, tem as mesmas 24 horas que o de todos os cidadãos e por vezes, apesar do dinamismo que felizmente não me falta, sinto a família um pouco secundarizada.

Mas não ficou por aqui a minha decisão, ela é muito mais ampla nos seus motivos… Sempre entendi que a renovação nos cargos políticos deve ser efectiva e real. Considero ter cumprido cabalmente o exercício das minhas funções. Além disso, as duas candidaturas surgidas são as candidaturas de dois camaradas e amigos, de dois credíveis militantes do PS, de cidadãos com quem já muito trabalhei e cujas qualidades conheço, enalteço e aprecio de uma indiscutível forma. Estou aqui para colaborar com eles e para fazer o que há muitos anos ergo como bandeira: o Partido Socialista, a sua ideologia, a sua prática política e a luta pelo futuro Governo que estará à frente de Portugal e para os portugueses.

Aproveito o ensejo para agradecer o empenho e a solidariedade prestado por todos, sem excepção, no exercício da minha função de Presidente da Federação.

Seguidamente, falámos com Acácio Pinto

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Na passada reunião da Distrital do PS, no dia 18, apresentou a sua candidatura ao cargo de presidente da Federação do PS Viseu. Que motivos o levaram a isso?

Em primeiro lugar quero dizer que o atual presidente da federação, que sempre apoiei convictamente, e a quem saúdo, decidiu não se recandidatar.

E foi neste contexto que eu refleti e entendi que reunia as condições necessárias para poder desempenhar tal cargo. Aliás, dando continuidade a um trabalho que tenho vindo a desenvolver em todo o distrito ao longo dos anos, como os socialistas bem sabem.

Trata-se efectivamente de uma candidatura a presidente da Federação ou uma pré-candidatura a deputado da Assembleia da República?

Esta é uma candidatura a presidente da federação e não mais do que isso. Pela nossa parte não participamos desse ponto vista, não é uma pré-candidatura a nada.

Para a nós, os candidatos a deputados, quando a questão se colocar, serão eleitos através do recurso a primárias. Aliás, como se sabe, já defendi este ponto de vista aquando da candidatura de Francisco Assis. Quando os estatutos do PS permitem esta eleição, em curso, de primárias para candidato do PS a primeiro-ministro, por maioria de razão permitirão a opção que acabei de lhe expressar.

É uma disputa entre Acácio Pinto e António Borges ou entre José Junqueiro e Miguel Ginestal?

Nós não renegamos a história do PS, nem a nível nacional nem a nível local. Para nós os militantes não são descartáveis, todos são imprescindíveis e necessários.

No caso concreto, e no que nos tange, o deputado José Junqueiro é um militante com um vasto percurso em prol do PS quer no distrito de Viseu quer a nível nacional e que não está impedido de apoiar quem bem entender dentro do seu superior critério de avaliação.

Os pressupostos da questão, que também já fui ouvindo por aí, parecem-me inadequados porque nem os dois candidatos a presidente da federação, nem os dois militantes que refere, creio poder dizê-lo relativamente a todos, merecem ver a sua inteligência e liberdade capturada por esse tipo, rasteiro, de argumentação.

Quais as principais linhas programáticas do seu mandato?

Para o futuro aquilo que pretendemos é, sempre, tornar o PS mais forte. Mais PS é, pois, a síntese daquilo que pretendemos para a federação de Viseu.

Destacamos como elementos estruturantes da nossa candidatura, para além das medidas apresentadas anteriormente, num PS que respeite a liberdade de todos os militantes e que dê voz às bases,  o seguinte: i) Dinamização de reuniões e assembleias gerais de militantes nas concelhias que permitam auscultar e debater os problemas locais, regionais e nacionais; ii)Reuniões regulares com os presidentes das comissões políticas concelhias; iii) Aprofundamento da relação entre o PS, a JS e o DFMS; iv) Reunião regulares da federação com os eleitos locais do distrito, da ANMP e da ANAFRE, bem como dos deputados; v) Realizar eventos temáticos abertos a todos os cidadãos e dinamizados por personalidades de reconhecido mérito no tema que estiver em debate; vi) Efetuar todos os anos, em articulação com a JS, uma universidade / acampamento de verão; vii) Estimular em articulação com a ANJAS a formação e a participação dos jovens na vida autárquica.

Finalmente, ouvimos António Borges

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Na passada reunião da Distrital do PS, no dia 18, apresentou a sua candidatura ao cargo de presidente da Federação do PS Viseu. Que motivos o levaram a isso?

Qualquer candidatura tem sempre a ver com uma visão de futuro. A minha candidatura visa incutir um novo impulso no trabalho da Federação de Viseu do Partido Socialista. Depois, há uma preocupação relativamente ao passado recente. Nós devemos lutar pela unidade do partido e não deixar que nenhum processo, na Federação, ponha em causa esta unidade. O que estava a acontecer era que o processo nacional que neste momento está em curso, estava a contaminar indevidamente aquilo que era a vida política da Federação. Aquilo que eu sempre defendi e defendo é que prefiro as águas cristalinas, ainda que profundas, ao lamaçal em que muitas vezes se torna a vida política. Trata-se de clarificar. Ou seja, garantir que internamente a vida do partido fosse de coesão e que houvesse dos seus principais actores legitimidade e representatividade. Este passo em frente tem a ver com a percepção que temos do futuro da vida política da Federação, que não deve estar contaminada por outras disputas e depois, também, com os objectivos da unidade e da representação interna. Não é uma candidatura para ninguém, é sim uma candidatura de unidade.

Trata-se efectivamente de uma candidatura a presidente da Federação ou uma pré-candidatura a deputado da Assembleia da República?

Meu caro… já estou habituado a ouvir dessas perguntas. Eu nunca estou com um pé noutro sítio quando assumo compromissos com os meus concidadãos. O compromisso primeiro relativamente ao distrito e relativamente aos militantes do PS é a presidência da Federação de Viseu do Partido Socialista. Numa lógica de acção prioritária a qualquer outra acção política, e é isso que vai acontecer no futuro. O problema relativamente aos deputados não se põe. Há estatutos do partido e no momento próprio essas questões serão resolvidas pelos militantes do partido. Há estatutos que permitem que não seja um, ou dois, ou três a resolver essas questões, como foi no passado, para serem os militantes a tratar directamente delas.

É uma disputa entre Acácio Pinto e António Borges ou entre José Junqueiro e Miguel Ginestal?

Quem me conhece sabe que normal e naturalmente sou eu próprio e tenho o meu próprio espaço de pensamento e de acção. Concerto com todos, agora o que lhe posso dizer é que a minha candidatura à Federação é um espaço de acção mas nunca será um espaço de negócio.

Quais as principais linhas programáticas do seu mandato?

Há duas palavras-chave e que se aplicam ao partido, se aplicam ao distrito e se aplicam ao país: Proximidade. Nós gostamos de proximidade em relação aos cidadãos. E o que significa isto? Significa que o partido tem que estar mais próximo dos militantes. Há um descrédito na política porque os políticos estão cada vez mais longe dos seus eleitores e dos seus concidadãos. Proximidade é palavra-chave Depois, no país, temos a noção de que alguma coisa há a fazer nestas matérias para que o cidadão regresse a uma relação sadia e de credibilidade com os políticos. Temos que estar próximos das pessoas; olhar as pessoas olhos nos olhos e não ter receio de estar com elas, de enfrentar os seus problemas e até as suas críticas. A outra palavra-chave: coesão. Numa altura em que o governo de direita tem uma saga destruidora, desestruturadora de muitas das nossas comunidades locais e, particularmente, no distrito de Viseu onde temos vindo a ser particularmente atingidos, a palavra coesão é essencial. Temos que perceber a diferenciação do nosso distrito – o que é uma riqueza – mas não podemos ter outra ideia que não seja a de incluir todos os nossos concidadãos, estejam em que partes do distrito estiverem, mas em lógicas de oportunidade de acesso, oportunidade de tratamento e oportunidade de condição. E este é o grande património do PS que está presente na candidatura que vamos apresentar.

Projecto na área da comunicação social digital, 24 horas por dia e 7 dias por semana dedicado ao distrito de Viseu

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