A demissão de Nuno Nascimento é mais uma prova do período crítico que vive o mandato de Almeida Henriques na Câmara Municipal de Viseu

por Paulo Neto | 2018.12.11 - 17:07

Para o Secretariado da Concelhia do Partido Socialista a demissão de Nuno Nascimento de chefe de gabinete do Presidente da Câmara Municipal de Viseu constitui-se como um fato político relevante.

Passado que estão mais de cinco anos à frente do Município de Viseu, Almeida Henriques vive notoriamente um período crítico e até decisivo.

A política imaterial quase obsessiva em imagem, marketing territorial ou propaganda política e organização de festas e outros eventos municipais, “mais do mesmo”, já cansa e já não ilude a reduzida aposta nas políticas municipais básicas.

Muitas atividades e serviços municipais tradicionais estão a ser sucessivamente entregues a privados. A recolha de resíduos apresenta problemas graves. Há descargas de águas residuais não tratadas diretamente no rio Pavia, a meio da cidade, quando chove. A limpeza e manutenção de áreas verdes e espaços públicos começa a não fazer jus aos historicamente elevados índices de qualidade de vida, tão caros aos viseenses. Este Executivo não sabe implementar políticas de proximidade junto dos munícipes e dos agentes locais e regionais. Viseu continua a não saber articular-se com os municípios vizinhos, a inaptidão para liderar uma solução organizativa para o abastecimento de água é disso exemplar. Não há uma forte política social, o que é bem evidente na degradação da habitação social do Concelho. A tão propalada aposta na atratividade económica, pese algumas empresas tecnológicas a instalarem-se em Viseu, fenómeno dos “tempos atuais” que sucede também noutras cidades médias, está muito longe de ganhar a escala necessária. Nas freguesias rurais, pese algumas obras, sobretudo de típicos arranjos de espaços exteriores, estas continuam a perder população e atividades socioculturais e económicas, não se verificando a promoção de imprescindíveis pólos de desenvolvimento local.

Assim, “restam” algumas obras emblemáticas, tão profusamente anunciadas quanto adiadas, que tardam em arrancar, mesmo que, para o efeito, o Executivo se socorra de meios rápidos e expeditos – através de fundos imobiliários – que lesam financeira e patrimonialmente o município a médio prazo.

A não presença de presidentes de junta de freguesia e figuras gradas do PSD em cerimónias municipais recentes, contrariamente ao que era hábito, e o arredamento político de alguns vereadores executivos começa a ser expressiva.

Agora, sem uma justificação devidamente esclarecedora, demite-se aquele que, há muito, tem sido o “braço direito” de Almeida Henriques em diversos cargos de direção.

É bem patente para os viseenses que o atual Executivo Municipal vive – vivia… – assente num “tripé”, personificado em três rostos. Jorge Sobrado, muito criativo, mas não político, a conceber a estratégia e a criar Momentos e eventos. António Almeida Henriques, com curriculum político multifacetado, a tentar dar alguma formalidade institucional e estrutura política a esta “estratégia”, sobretudo através de múltiplos discursos e anúncios pomposos. Nuno Nascimento, um homem de bastidores, da máxima confiança pessoal e política do Presidente, fundamental internamente e para o andamento de toda esta engrenagem, incluindo a vertente económica, como é público.

O Partido Socialista de Viseu está dinâmico e atento. Como o trabalho de Oposição – proativo, crítico, fiscalizador e propositivo –  desenvolvido pelos eleitos locais do PS tem demonstrado, os viseenses podem contar com uma alternativa credível e muito preparada para assumir outras responsabilidades no Município, pelo melhor do território e da comunidade de Viseu.

Viseu 11 de dezembro de 2018

O Secretariado da Concelhia de Viseu do Partido Socialista

                                Lúcia Araújo Silva

(Presidente da Concelhia do PS Viseu)