“A Bailarina”, de Rodrigo Leão, estreia em Gouveia, em homenagem a Vergílio Ferreira

por Rua Direita | 2017.01.29 - 17:26

 

 

 

Sábado, dia 28 de Janeiro. Em Gouveia a noite estava com 10 graus mas dentro do Cine Teatro local a temperatura subiu ao rubro com o concerto de encerramento das Comemorações do Centenário do Nascimento de Vergílio Ferreira, o escritor gouveense nascido em Melo, a 28 de Janeiro de 1916.

A autarquia, pela voz do seu presidente Luís Tadeu lançou em Março de 2016 um repto ao músico Rodrigo Leão para compor um tema alusivo ao evento.

Desafio aceite, Rodrigo Leão acompanhado do seu terceto de cordas (dois violinos e um violoncelo), apresentou-se em palco perante uma casa de lotação completamente esgotada e com a presença do filho do escritor, de seu nome também Vergílio, Rui Moreira, presidente da Câmara Municipal do Porto, o presidente da Assembleia Municipal, o vereador da Cultura, Jorge Ferreira e demais vereação.

 

Presente em palco com 38 elementos e seu maestro Hélder Abreu, a Orquestra Sinfónica de Gouveia, começou por interpretar temas de compositores da preferência do escritor homenageado, tais como Schubert, Tachaikovsky, Beethoven e Bach.

Seguiram-se composições de Rodrigo Leão, coroadas com o tema criado para o evento e em estreia nacional, de seu nome “A Bailarina” e inspirado na personagem de “Cântico Final” (1958/60), romance de busca do sentido da vida, a arte e a religião que nos narra o regresso de Mário, professor de desenho, pintor, ateu, atacado por uma doença fatal, à terra natal para passar os seus derradeiros dias, dedicados a restaurar uma capela abandonada e a pintar Elsa, uma bailarina que conheceu, por cima do rosto da Senhora da Noite

Já no início das comemorações Luís Tadeu afirmara que estas tinham como objectivo primordial “arrancar o escritor do esquecimento, sendo esta a grande herança de um ano de homenagem e reconhecimento.

Esta composição do consagrado Rodrigo Leão muito contribuirá para tal, sendo o culminar síntono e sínfono desse ano de homenagens.

Rodrigo Leão e o seu trio, acompanhados da magnífica Orquestra Sinfónica de Gouveia levaram o público entusiasta ao rubro e foram vários os “encore” no final do concerto, com a assistência em pé e sem desejo de sair da sala.

Luís Tadeu, Jorge Ferreira e o restante executivo estão de parabéns. O filho do escritor quando ao fim o questionámos sobre a homenagem, mostrou-se completamente a ela rendido, afirmando que este concerto tinha “sido um ponto muito alto das comemorações”.

Luís Tadeu deixou outro desafio a Rodrigo Leão: “repetir e fazer ainda mais”. Que foi selado em palco com um caloroso aperto de mão, entre um músico e um autarca que, nas suas palavras, “pretende homenagear o escritor Vergílio Ferreira e fazer chegar, através da música, o nome do escritor a outros públicos“.

Excerto de “Cântico Final” (1ª ed):
Mário o reconhece agora como nunca, frente à sua Capela em ruínas. Fevereiro chegara com a aridez dos seus ventos, a deserta linearidade do Inverno que se extingue. Senhora da Noite. Eis que de tudo quanto na terra sonhara, amara, sofrera, de tudo quanto constituíra a sua vida, a pequena Capela, desaparecida entre a montanha, resumia e filtrava a verdade final. Precisava agora de a revelar, de a salvar, depressa, depressa, enquanto o fim não chegasse e não acabasse nele essa ávida presença da vertigem e da exaltação.”

(Portugália Editora, 1ª edição)

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