Xadrez de Guerra

por Luís Ferreira | 2016.07.16 - 16:26

 

Anteontem, a França viveu mais um macabro e aterrador momento de atentado terrorista. Tudo se deu aquando das comemorações de um dos mais célebres feriados franceses: o 14 de julho, Dia da Tomada de Bastilha ou Dia de França, durante o qual não escassearam tropas, tanques a desfilar e aviões a pompear as cores da bandeira francesa.

Se bem me lembro, estive também por lá há uns 6 anos, precisamente nesta data. Rapidamente percebi que se tratava de comemoração de respeito. Soava a Marselhesa ao longe e em todas as vilas o sentimento era louvado. Contudo, facilmente se percebe que as comemorações de 2016 serão lembradas por muitos anos. Pelos piores motivos. Tudo se deu quando, em Nice, qualquer criatura insolente, irracional e extremista, ao volante de camião alugado, abalroou quanta gente conseguiu. Impensável e inimaginável é o momento em que a multidão se apercebe de tal monstro a ziguezaguear durante 2km para colher o maior número de pessoas. Qual fome de sangue, qual fonte de frieza, qual ruindade terminaria com 84 mortos e mais de 200 feridos, tantos deles em estado crítico.

Soube de tamanhas infelizes notícias já a noite escurecia as ruas. Fiquei sentido e pensei muito. Pensei sobre tal sociedade esconjurada e de mentalidade defunta que concretiza tais atos. Associei-me a todos os franceses e, de forma muito sentida, às famílias atingidas. No entanto, por mais magoado que tenha ficado, fiquei-o ao pensar no tamanho sofrimento e dor que tais famílias devem cruzar. Senti-me pequeno e muito me questionei. Se fossemos nós a viver tal horror, perdoaríamos tal macabra raça? Se fosse um pai, uma mãe, um irmão, um amigo. Já pensou? É impensável… São momentos em que a dita Humanidade inverte o sentido natural da vida, do respeito e até da própria “Humanidade”.

Mas esqueçam-se acordos de paz ou poleiros de negociação. Ainda agora se abriu o jogo de xadrez. E lá vai jogando um de cada vez. Mas o jogo promete durar. E alguém sussurra que até talvez haja interesses de ambas as partes!! Aguardemos o xeque-mate e rezemos a não 3ª Guerra Mundial.

Luís Ferreira é natural de Ferreirim, Sernancelhe, tem 17 anos e é estudante de Economia.

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