Voto de Louvor aos Jardins Efémeros

por Carlos Cunha | 2019.04.10 - 16:34

Este voto de louvor aos Jardins Efémeros, foi aprovado na reunião da Assembleia de Freguesia de Viseu, realizada a 01/04, com 8 votos a favor: CDS-PP, PS e BE e 10 abstenções do PSD.


Fomos recentemente surpreendidos pela notícia de que este ano não se iriam realizar os Jardins Efémeros. A primeira reação foi de incredulidade, talvez fosse mais uma das inúmeras dores pré-parto, que costumam anteceder este género de eventos, por isso, manteve-se a esperança de que seria resolvida a contento se houvesse vontade e apoio para tal. Mas não, não foi uma questão de tempo, mas de vontades e de apoios que não se conjugaram positivamente para que Viseu tivesse, em 2019, aquela que seria a IX Edição dos Jardins Efémeros.
Ao longo de oito anos, os Jardins marcaram o cartaz cultural de Viseu no mês de Julho, tornando-se num dos eventos de cultura e arte modernas mais relevantes de toda uma região. Angariar apoios para organizar mostras culturais fora dos grandes centros urbanos é uma infindável odisseia de desafios. Neste particular, os Jardins souberam impor a sua diferença, conquistando primeiro a comunidade do Centro Histórico, depois a cidade e as suas freguesias, os concelhos próximos e os distritos mais distantes. De vários pontos de Portugal afluíam visitantes atraídos pela cultura e arte emanadas pelos Jardins. À medida que se foram dando a conhecer atraíram a atenção da comunicação social local, nacional e internacional, que chegava a Viseu em demanda pelos Jardins.

Houve anos de maior brilhantismo na sua criação cultural e outros de esfusiante encanto paisagístico Gostar mais de umas edições do que de outras depende do livre arbítrio de cada um e felizmente que o temos, por isso, os Jardins jamais deixaram os viseenses indiferentes. A comprová-lo as centenas de milhar de fotografias tiradas e partilhadas nas redes sociais ou os intermináveis debates com a sua miríade de prós e contra.


Os Jardins trouxeram um espaço de reflexão, de tolerância, de multiculturalismo, de convívio intergeracional, sempre atentos à atualidade contemporânea e aos problemas quotidianos nacionais e internacionais. Não escaparam ao olhar crítico dos Jardins as alterações climáticas, a alimentação saudável, a violência e o tráfico de seres humanos ou os anos em que Portugal e Grécia estiveram sob ajuda financeira externa.

Os Jardins foram provocadores e irreverentes, capazes de confrontar e inquietar os seus inúmeros visitantes e de os por a refletir sobre as mais variadas temáticas, procurando contribuir para a construção de uma sociedade com pensamento crítico, inconformada, mas simultaneamente tolerante, aberta aos outros e às suas diferenças.

Não obstante, terem tido a arte e o engenho para atrair sobre si as atenções dos media locais, nacionais e internacionais, os Jardins souberam, através das suas inúmeras criações e mensagens contundentes elevar e divulgar Viseu, tornando-se, por mérito próprio, numa marca cultural relevante na promoção do nosso território e de toda a região do Interior Centro.

O seu pioneirismo marcou a cidade, transformou o Centro Histórico, numa época em que este se encontrava em estado de anemia, trouxe-lhe vida, animando o comércio local. As Praças D. Duarte e o Largo Pintor Gata encheram-se de gente, assim como a Rua do Comércio e o Mercado 2 de Maio. Gente de Viseu e outra vinda de diferentes pontos de Portugal, outra de países europeus e muitos viseenses que, apesar de trabalharem e residirem fora de Viseu, faziam questão de regressar no mês de Julho para viverem os Jardins. Todos diferentes, mas todos imbuídos do mesmo espírito agregador de descobrir, viver e sentir os Jardins.

Com os Jardins ficou claro que as diferentes manifestações culturais têm um papel muito relevante na dinamização do Centro Histórico, que necessitava de voltar a ter vida, gente na rua e praças fechadas ao trânsito automóvel para que as pessoas se voltassem a cruzar e a encontrar. Os Jardins constituíam um motivo suficientemente forte para deixar o automóvel longe, percorrendo e redescobrindo as ruas da cidade a pé e alguns dos seus edifícios antigos abertos propositadamente à comunidade.

Tudo isto não foi pouco, porque toda a comunidade, constituída por novos e velhos, ricos ou pobres, de direita, de esquerda, do centro ou sem ideologia tivesse a oportunidade de usufruir, gratuitamente, durante um punhado de dias no mês de Julho de diversas atividades culturais que marcavam a diferença, muitas das quais ainda perduram hoje nas nossas memórias.
Face ao exposto e, fazendo votos para que os Jardins regressem já no próximo ano, com toda a sua força e energia criativas, o representante do CDS propõe, na reunião ordinária, realizada em 1 de Abril, da Assembleia de Freguesia de Viseu um voto de louvor aos Jardins Efémeros e à sua criadora Sandra Oliveira, e que do mesmo, em caso de aprovação, seja dado conhecimento à própria e às seguintes entidades: Autarquia e Assembleia Municipal.


O representante do CDS

Carlos Cunha

Carlos Cunha é militante do CDS-PP de Viseu e deputado na Assembleia Municipal. Licenciado em Português/Francês pela Escola Superior de Educação de Viseu concluiu, em 2002, a sua Pós Graduação em Educação Especial no pólo de Viseu da Universidade Católica Portuguesa.

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