Votando PàF nem isso

por Alexandre Borges | 2015.09.30 - 18:52

Nos últimos tempos a coligação “Portugal à Frente” tem-se esforçado para fazer passar a ideia que os males que o país enfrenta são obra e graça de outros governos que não o seu. A deriva pantomineira tem sido pródiga e são frequentemente apanhados em contra-mão. Apostam em repetir à exaustão que sem eles não há estabilidade. O topete é de tal ordem que por vezes quem o diz é o irrevogável Portas que com as suas linhas vermelhas, ora inultrapassáveis, ora meros simbolismos da estupidez alheia, custou ao país, com um SMS, muitos milhões.

Gente incoerente que não se coibiu de chamar a Troika, dizendo que ela era a solução para endireitar o país, que reiteradamente afirmou que iria até além da mesma (e foi), mas que deitou foguetes quando achou que podia dizer que já a tinha expulso e diz agora que nunca clamou pela sua vinda.

Gente que prometeu a pés juntos que não:

aumentaria impostos;

cortaria apoios sociais;

cortaria salários;

cortaria nas pensões;

e fez exactamente o contrário.

Gente que garantiu que:

cortaria nas gorduras do Estado;

baixaria a dívida do Estado;

reduziria o défice do Estado;

e fez pior do que já estava feito sem a troika.

Gente que transformou Portugal num país mais pobre (Passos disse mesmo que isso era essencial), mais desigual, mais frágil, com cada vez mais riqueza concentrada em meia dúzia de privilegiados, num país dividido. Gente que nos diz que o país está melhor mas os portugueses não.

Foram estes que fecharam tribunais, escolas, centros de saúde, ameaçaram todos os serviços públicos com privatizações feitas a preço de saldo e em cima do joelho (CTT, TAP e outros transportes públicos, EDP, REN, etc.) e com isso fragilizaram ainda mais o interior do país e a solidariedade inter-geracional e inter-classes. Desinvestem para promoverem serviços públicos de fraca qualidade para depois tentarem justificar a sua privatização.

Vendem ao desbarato o país, o que é de todos, para o entregarem apenas a alguns e depois esmifrarem os seus antigos donos – o povo. O desvario é tal que até na água ensaiam uma privatização encapotada.

Gente que mente:

no número de desempregados;

no valor do défice;

nas contas das empresas públicas;

Mentem tanto que os valores do número dos apoiantes nos seus comícios e concentrações são coisas acessórias mas que nos devem relembrar que a mentira é o seu modo de actuar predilecto.

Esta é coligação que integrou, até não poder mais, personagens como Relvas e Miguel Macedo, que integra e elogia outras como Marco António Costa e Dias Loureiro. Uma coligação que pede que votem em pessoas que não se coibiram de dizer que Portugal estava a ser atacado pela “peste grisalha” e outros candidatos muito pouco recomendáveis por vicissitudes várias.

Uma coligação liderada por um Pedro que de manhã corta pensões e à tarde, vai para o Facebook pedir desculpas. Um Pedro que corta apoios sociais mas nos tenta vender a ideia que não sabia que tinha de pagar a Segurança Social. Um Pedro que nos diz que o desemprego é uma oportunidade, que nos convida a emigrar, mas que não pagava impostos sobre as “ajudas de custo” recebidas do Conselho Português para a Cooperação no qual garante nunca ter recebido qualquer salário. Um Pedro que com o compincha Relvas organizou na Tecnoforma uma forma muito pouco tecnológica e no mínimo habilidosa de usar fundos comunitários para encher os bolsos a troco de muito pouco valor acrescentado para o país (alguém sabe o que andam a fazer os formandos dos cursos de técnicos de aeródromos?).

Uma coligação que integra responsáveis, como Sérgio Monteiro ou Maria Luís Albuquerque, por contratos SWAP que serviram para muita coisa menos para poupar dinheiro ao Estado. Uma coligação que teve como Ministro Victor Gaspar, responsável por um “enorme aumento” de impostos e que, quando deixou de o ser, foi trabalhar para um dos organismos que integram a Troika.

Um governo que deixou a justiça sem funcionar mais de um mês pelo não funcionamento do CITIUS mas que foi incapaz de assumir a responsabilidade de tal facto. Um governo que transformou o início do ano escolar numa imprevisibilidade para pais e professores culpando um algoritmo (calculo que de geração espontânea) da trapalheira. Um governo que  criou o caos nos serviços públicos mas agora nos ameaça com um “ou nós ou o caos”.

Mentira, patranha, omissão, umas atrás das outras. Mentira sobre BES, patranha sobre BPN, omissão sobre a Parvalorem (apenas para referir as mais recentes), tudo, junto e em separado. Um modo de actuar que assenta nisso mesmo e que se não foi o Pedro a gizar podia muito bem ter  sido “ele que inventou”.

Enganaram-nos como nunca nos tinham enganado antes. Fragilizam a democracia que deviam ajudar a consolidar. Dia 4 de Outubro é preciso acabar com isto, é preciso ir votar. Cada um terá as suas razões. Estas são algumas  das minhas para não votar nestes que nos ludibriam. Se vos derem jeito usem-se delas. Votem em quem quiserem, mas votem.   Votem em quem quiserem mas não votem nestes. Ficar em casa só favorece quem tem o poder. Se depois se sentirem enganados terão sempre a defesa de dizer que só vos enganaram uma vez. Votando PàF nem isso. 

 

Natural de Canas de Senhorim. Licenciado em geologia pela UC. Virulentamente bombeiro. Gosta de discussões cordiais, de vaguear pelo mundo munido de auscultadores.

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