Viseu, Património da Humanidade

por José Carreira | 2014.04.18 - 11:44

Há alguns locais, em Portugal, que constituem o restrito lote do Património Mundial, onde se incluem centros históricos, monumentos e também algumas zonas naturais do país.

Obter da UNESCO a classificação de um sítio obriga a um trabalho de preparação que pressupõe uma estratégia que agregue as forças vivas da cidade, envolvendo a comunidade num empreendimento que poderá ajudar a que, como afirma o autarca viseense, Dr. Almeida Henriques, “O coração débil do Centro Histórico” passe a “bater com força”.

Um dos pilares deste executivo, a revitalização do Centro Histórico, poderá ter na candidatura de Viseu a Património da Humanidade a bússola que permita traçar as rotas do futuro, no que diz respeito à reabilitação urbana, preservação do património, turismo, comércio…

A realização da Conferência “Para que serve um Sítio Património da Humanidade?”, foi, a meu ver, um tiro de partida muito certeiro. Desde logo, ouvir quem tem o saber de experiência feito, quem já meteu, com mais ou menos sucesso, as mãos na massa, denota a humildade necessária de quem quer aprender para fazer bem. “Falar é uma necessidade, escutar é uma arte” (Wolfgang Goethe). A conferência, pela qualidade dos seus oradores, permitiu ouvir o que pensam os especialistas com responsabilidade ou ligação a sítios classificados como Património da Humanidade: Centros Históricos de Angra do Heroísmo, Évora e Guimarães; a Universidade de Coimbra – Alta e Sofia; a Cidade Antiga de Salamanca; o Alto Douro Vinhateiro e a paisagem da Cultura da Vinha da Ilha do Pico. Houve uma intenção clara de “colhermos aquilo que foram as experiências destes diferentes sítios de Património da Humanidade. Digamos que é o momento um.” (Almeida Henriques, Jornal de Notícias, 17/04).

Debater antes de fazer parece-me um bom princípio. Não garante o sucesso, mas diminui bastante a margem de erro e ajuda a envolver os cidadãos. São momentos como este que contribuem para a definição de uma estratégia que se deseja profícua e que potencie  Viseu Cidade Região.

O conferencista Nuno Lopes, Director Regional da Cultura no Governo Regional dos Açores, considera que se impõe “uma linguagem clara que não deve ser elitista”. Estou de acordo, pois a polis é de todos nós. Os cidadãos deverão entender que futuro está a ser projetado, só assim se envolverão e contribuirão. Não destaco a intervenção específica de um ou outro orador, vou elencar alguns pensamentos verbalizados que me suscitaram interesse: ” Cuidado com a área dada à envolvente quando classificamos, importa que o turismo não amarfanhe quem cá vive.”; “A classificação só serve para nos orgulharmos de que há um reconhecimento da qualidade porque a defesa do lugar é feita por nós.”; “É preciso colocar conhecimento em cima dos problemas.”; “Há um défice de cultura de reabilitação.”; “A atitude pedagógica do Estado não existe.”; “Não é um turismo de eventos que capta turistas.”; “A maior parte dos municípios portugueses não tem uma estratégia.”;  “Urge uma Política Nacional para a Reabilitação.”

Como em qualquer projeto, há sempre prós e contras. Começar bem é fundamental, até porque os tempos não vão de feição para experimentalismo e vendedores de banha da cobra com receitas de pacotilha.

À pergunta que intitulou a conferência “Para que serve um Sítio Património da Humanidade?” poderão ser dadas múltiplas respostas em função das experiências vividas ou das lentes usadas para observar os resultados.

À pergunta “Para que serve uma Conferência  sobre sítios Património da Humanidade em Viseu?”, destaco um dos parágrafos do texto, do presidente do município, plasmado na brochura do evento: “Se é verdade que ninguém aprende sozinho e de costas voltadas para o mundo, em Viseu, cada vez mais, faremos por construir uma cidade-região aberta e conectada.”

Parece-me bem!