Viseu e a febre dos parques de estacionamento… a pagar.

por PN | 2016.12.13 - 17:53

 

 

Anda na CMV uma estranha febre e afã na construção de parques de estacionamento na zona histórica da urbe.

Naturalmente por dificuldade nossa, ainda não adregámos a perceber qual o lucro para a cidade e para os seus cidadãos.

Hoje, por afazeres pessoais tive que estacionar no centro urbano. Dirigi-me ao parque de estacionamento na Santa Cristina, entrei e imediatamente deparei, naquele piso, com vários lugares vagos. À saída, subindo dois pisos, deparei com a mesma realidade. Este silo auto, com diversos pisos e inúmeros espaços de estacionamento, dista aproximadamente 100 metros da praça Dom Duarte.

Almeida Henriques prevê três novos parques. Provavelmente para lá guardar os carros abandonados na cidade…

Um na Rua Capitão Silva Pereira, eventualmente geminado subterraneamente com o da Santa Cristina, outro na envolvência do funicular, assim permitindo aos utentes irem tomar um copo à taberna, junto à base desta “locomotiva” e outro ainda atrás da Misericórdia, o que será óptimo para o provedor, mesários e irmãos, com estacionamento às espaldas.

Entretanto, que naquela câmara não se dorme nem faz cera, criou no imediato e no centro comercial Académico, através de uma parceria, 80 lugares para moradores e comerciantes, que pagarão 20 e 25 € por mês, respectivamente, para não terem os seus carrinhos à chuva. Sim, porque entretanto serão banidos todos os estacionamentos nas artérias lá para aquelas bandas. A causa é muito nobre e justa, pensam os optimistas e a fazer fé nas palavras do autarca:

“Este é mais um passo dado no sentido de incrementar qualidade de vida para quem vive e trabalha no centro histórico.”

No fundo, é tudo uma questão de qualidade de vida para quem vive e trabalha no centro histórico. Quantos lá vivem? Quantos lá trabalham? Quantos lugares, além dos referidos 80 vão surgir nos três parques, 800? 1700? Qual a capacidade do de Santa Cristina? Qual a sua taxa de ocupação?

Almeida Henriques gosta de obras. Que é diferente de deixar obra feita que se veja e seja uma mais-valia para os munícipes, sempre a pagar.

9 milhões, parece que é quanto a “coisa” vai custar. Mas serão pagos pela benemérita entidade adjudicadora da obra, que depois dela concluída, dará meio milhão ao município, acrescidos de 20% das receitas brutas. Serão filantropos… Ou terão sérias contrapartidas a pagar pelos utentes? O leitor consegue negócios destes? Eu não…

 

Ler aqui…

http://www.cm-viseu.pt/doc/ Concursos/Patrimonio/ parcometro/Caderno%20Encargos. pdf