Vende-se um cão!

por Rufino Fino Filho | 2014.03.19 - 23:52

Tenho este cão para vender ou dar, é a mesma coisa! Descobri que o desgraçado, para além de ser melhor a comer do que a guardar, agora deu em beber, e, num rasgo de habilidade, aprendeu a abrir o frigorífico. Tem pinta, o farrusco!

Já lhe conhecia as manhas, mas, de mansinho, começo a entrar no campo nebuloso dos seus vícios mais privados. Chama-se Badio! Um nome sem graça, mas premonitório, dado pelo seu antigo dono, que num acesso de generosidade, mo mandou entregar cá em casa com laçarote e tudo, a fazer de coleira de luxo. O rafeirito até era engraçado e tinha um cabrão de um olhar que me derreteu como manteiga na sertã.

Cresceu rodeado de mimos e com autorização para entrar em casa e veja-se em que deram as facilidades. Meias, cuecas, sapatos, pés de cadeira tudo foi rasgado e roído sem medo das ameaças de ir parar à lixeira de Esmolfe ou ao canil. Um sem-vergonha da pior espécie que, quando ameaçado, deitava-se de barriga para o ar e fazia um ar tão ternurento que apetecia beijá-lo. Pois, este sacana, passou-se dos carretos! Fui dar com ele com a porta do frigorífico aberta e a empanturrar-se com iogurtes, presunto, marmelada, queijo e tudo o mais que a mulher ali conserva.

Ai vais de grilo, vais, desgraçado! Cá em casa não há concorrência e nem as habilidades de circo te salvam!

Está à venda! Vacinado, chipado, desparasitado e escovado. E vai barato!

Pena que não tenha aprendido a abrir uma garrafa de cerveja. Mais lhe valia! Agora, que vem aí o tempo quente, sempre me fazia companhia ao fim de tarde no alpendre.