Valorizar a imprensa regional

por Vitor Santos | 2016.02.15 - 14:47

 

 

Os jornais regionais – através das várias plataformas, passaram a ser mais lidos dos que os diários de âmbito nacional em todos os distritos, excluindo Lisboa e Porto, de acordo com um estudo promovido pela Associação da Imprensa Não Diária.

A imprensa sofreu ao longo dos tempos diversas mutações tornando-se dependente da publicidade, a sua fonte de investimento. Com o passar do tempo o jornal impresso apesar das mudanças no aspeto gráfico, o conteúdo informativo foi descuidado.

Nos finais do século passado nota-se uma falta de elementos atrativos e uma escassa preocupação com os problemas quotidianos da sociedade. A imprensa escrita não tem em conta os sentimentos, as aspirações das pessoas, facto que leva ao crescente desinteresse por esta. A imprensa começou a interessar-se não pela procura da notícia, da informação credível, mas entregou-se ao sensacionalismo, ao espetacular da informação, o produto que as massas gostam. Passa a existir o chamado jornalismo de «secretária» com as agências de comunicação e os profissionais contratados pelas instituições e enviarem a «notícia». São os próprios governos que praticam a política de quanto menos se lê melhor. Ou seja, o poder apoia mais a cultura da vista e ouvido que a reflexiva. Durante as guerras, a imprensa surgiu como meio de propaganda, mas com o surgimento da rádio e da televisão – depois da internet, os governos preferiram apoiar a cultura visual e auditiva. Estes começaram a ser os meios utilizados pelo poder político para influenciar e «manipular» as massas.

De repente, a imprensa «deixa» de ter apoios. Não se levam a cabo campanhas que incitem à leitura, as peças não são competitivas. Por outro lado, a própria atitude de muitos políticos em relação aos jornais não se diferencia da adotada pela publicidade. Os poderes usam muitas vezes a sua influência «vendendo» a sua imagem aos jornais que têm mais visibilidade mediática. Como têm larga influência sobre a imprensa, o poder político atende, mima e filtra informações – principalmente, a local, com o objetivo de difusão e afinidades. Quando o poder interfere na política informativa de um jornal há um claro prejuízo da pluralidade informativa. A tendência acentua-se e cada vez mais se reduzem espaços nos jornais, alguns fecharam, situação que contribui para o condicionamento da oferta. A palavra escrita exige uma participação do leitor, um esforço de imaginação, operações de memória, associação e reação, algo que as imagens da televisão e da internet dispensam aos espetadores. Os leitores fiéis à imprensa diminuíram. Os jovens demonstram pouco interesse pelos jornais preferindo a televisão, a rádio e o cinema, tendo em conta essa clientela, as empresas mudam de «feições». Os jovens não têm formação e não estão educados para ler jornais.

A internet “partilha” a informação de âmbito nacional e internacional e a imprensa regional, pelas suas características, assume um papel relevante por ser um jornalismo de proximidade. Além desta realidade, há ainda a acrescentar o valor que esta Imprensa desempenha junto de todos os portugueses que vivem fora do país, longe da sua terra, dos seus hábitos, culturas, valores e tradições.

Depois de um período difícil de sobrevivência a imprensa regional, que não é o parente pobre do jornalismo, está cada vez mais valorizada.
Mantendo a independência do poder local – que nem sempre é fácil, estes jornais ganham muitos leitores. Uma Região sem imprensa é fraca e temerosa.

Vitor Santos nasceu em Viseu no ano de 1967. Concluiu o Curso de Comunicação Social no IPV. Conta com várias colaborações na Imprensa Regional. Foi diretor do Jornal O Derby.

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