Vai um referendo? (Sim/Não)

por António Soares | 2014.02.20 - 10:42

Nunca comprei um referendo e por isso não sei a quanto está o kilo mas, ao que parece, o Tribunal Constitucional (TC) acaba de poupar aos bolsos dos contribuintes 10 milhões de euros.

Se por um lado o chumbo ao referendo me parece um acto sensato, creio que a justificação apresentada é embaraçosa. Dizem os juízes do TC que a existência de duas perguntas pode levar “à contaminação recíproca das respostas”. Este Colectivo nunca fez testes de escolha múltipla, constatamos. As várias possibilidades dentro da escolha múltipla, sim, confundem e contaminam. Questões de “verdadeiro/falso”, “sim ou não” ou de resposta aberta, a essas estamos habituados.

O início de mês de milhares de Portugueses começa com a vergonhosa – para o País – questão “Será que este mês (já) recebo?”.

Mas há muitas outras perguntas que fazemos a nós próprios, e muitas vezes sucessivamente: “Onde será que vão cortar agora?”; “Quanto subiu desta vez o gasóleo?”; “Ainda falta muito para o fim do mês?”; “Uma vida inteira a trabalhar para isto?”; “Será que irrevogável ainda tem o mesmo significado no dicionário?”.

A todas elas, como corajosos marujos numa caravela a bolinar contra todas as adversidades, de ventos a adamastores de fato e gravata, temos vindo a dar resposta. [Devíamos dar menos respostas e mais paulada, mas isso é conversa de outro pasquim]

Por isso, esta justificação não me satisfaz.

Não tenho nada contra referendos. Acho, inclusive, que se deveriam referendar uma série de questões, a começar pela “adopção forçada”, que já referi em http://www.ruadireita.pt/largo-do-pelourinho/um-referendo-a-adopcao-forcada-1917.html. Contudo, parece-me mais producente o referendo consistir numa espécie de “teste de verdadeiro ou falso”, mas cujas respostas sejam condicionadas a “sim” ou “não”, em relação a questões realmente fracturantes e decisivas para o quotidiano de todos nós. Por exemplo:

1. Portugal deve abandonar imediatamente o Euro? (Sim/Não)

2. Acredita que mais austeridade é solução para Portugal? (Sim/Não)

(Se respondeu “Sim”, corte os pulsos)

3. Portugal deve estabelecer tectos salariais? (Sim/Não)

(Se for gestor público ou possuir uma instituição bancária não responda mais e entregue o boletim de voto)

4. Concorda com a legalização da eutanásia?

Etc.

(Etc = End of Thinking Capacity, mas creio que passei a ideia nas quatro questões apresentadas)

Uma ideia extra para combater a abstenção: quem fosse votar ficava com uma senha e sorteava-se um carro topo de gama!