URGÊNCIAS: PORTUGAL NO 1.° LUGAR

por José Carreira | 2016.03.07 - 09:44

 

 

Portugal está em primeiro lugar na procura dos serviços de urgência per capita, num conjunto de países da OCDE.

O ministro da saúde, Alberto Campos Fernandes, informou o Parlamento que a rede de urgências está a ser avaliada. Avaliar e diagnosticar são duas necessidades, mas decidir bem e intervir melhor devem ser duas prioridades.

Obviamente, o actual ministro não pode ser responsabilizado pelo número de urgências do ano passado, cerca de 6,1 milhões. Senhor ministro, ouvir os portugueses que recorrem às urgências talvez seja um bom indicador a introduzir na avaliação a fazer. Muitos dos portugueses que recorrem ao serviço de urgências não o fariam, evitando o estrangulamento das mesmas, se os centros de saúde funcionassem bem e dessem respostas, em tempo útil, a quem a eles recorre.

Conto-vos um episódio que me foi relatado, há três dias, por um amigo.

O meu amigo tinha um quisto sebáceo que infectou. Tentou fazer a marcação online de uma consulta para o Centro de Saúde. O sistema informou que dois meses depois seria possível obter a desejada e necessária consulta para tentar resolver o problema que lhe causava dor e o incapacitava para o trabalho. Decidiu deslocar-se ao serviço de urgência. Uma não urgência transformou-se, assim, numa urgência… No hospital foi atendido e de imediato submetido a uma intervenção cirúrgica que lhe removeu o quisto. Bem tratado, aconselhado a repouso total durante uns dias, tinha novo problema para resolver… A baixa médica, para apresentar no seu local de trabalho, tem que ser assinada pelo médico de família, no Centro de Saúde. A saga continuou… Online, a marcação da consulta apontava para daquele data a dois meses…Ao telefone informaram que deveria dirigir-se ao Centro de Saúde e esperar uma vaga em resultado de um paciente que faltasse à consulta. Foi bem cedo, esperou, mas não alcançou a imperiosa consulta. No segundo dia, voltou, olvidando o aconselhado repouso, esperou, aguentou, até que, chegada a hora do final do expediente, a médica de serviço comunicou que não o iria atender. Explicou a sua situação e a senhora manteve a sua posição. Decidiu subir o tom, ameaçar com o Livro de Reclamações e com o envio de uma comunicação para os serviços de saúde competentes. Contrariada, a senhor doutora lá o recebeu e, sem olhar para ele, assinou, contrariada e enfadada, a baixa médica.

É por esta e por outras como esta que muitos portugueses não pensam duas vezes antes de se dirigirem para os serviços de urgência, mesmo que seja para que lhes sejam receitados medicamentos para uma constipação ou uma dor de cabeça…

(foto DR)