Uma homenagem justa e muito merecida

por João Figueiredo | 2013.11.28 - 12:39

Decorre por estes dias uma homenagem pública ao cidadão António Ramalho Eanes.

O general Ramalho Eanes depois de uma intensa carreira de combatente encontrava-se em serviço em Angola aquando da revolução de 25 de Abril, tendo, posteriormente, aderido ao Movimento das Forças Armadas.

Em 1975, ainda com a patente de Tenente-Coronel, comandou as operações militares da ação militar de 25 de Novembro desse ano, que impediu o sonho comunista de ver Portugal transformado num país satélite do poderio, da então União Soviética. Em 1976 foi Presidente da República, mandato que renovou em 1980.

Para além dos feitos militares e políticos realizados num período importante da nossa democracia e que são, indubitavelmente, relevantes, o General Ramalho Eanes fica na História do nosso país também, por outras, não menos nobres razões.

O seu comportamento sempre se pautou por princípios de ética, de integridade, de coragem, de transparência, de enorme sentido de Estado, de retidão de comportamento e uma honradez à prova de bala.

Ramalho Eanes não se socorreu de malabarismos para merecer o nosso respeito. Não precisou de subir a coqueiros ou passear-se em cima de tartarugas.

Não precisou viver uma vida faustosa em Paris para tirar um Mestrado. Já depois de ter saído da Presidência da Republica, obteve o grau de Doutor pela Universidade de Granada com uma importante tese que versa sobre a “Sociedade civil e poder político em Portugal”, com duas mil páginas, e foi defendida perante um júri composto por três catedráticos espanhóis e dois portugueses.

Não precisou de criar Fundações para os cofres do Estado suportarem o seu funcionamento, o mesmo é dizer todos nós, cuja mais-valia das mesmas nos deixa as mais sérias dúvidas.

Ele pode ser considerado um símbolo dos homens honestos que se movimentam no espetro sociopolítico. Homem íntegro é um exemplo a apontar no sentido de alguém que cumpriu a sua missão de forma desprendida colocando os seus méritos ao serviço dos outros. Elevou a missão política à sua essência: servir, sem se servir!

A título de exemplo lembro a sua não-aceitação do posto de Marechal e a sua recusa em aceitar, em 2008, receber os retroativos de cerca de um milhão de euros, relativos às suas funções de ex-Presidente da República.

Esta homenagem constituiu-se da máxima importância como exemplo a seguir. Ramalho Eanes tirou, à época, o país de uma grave crise, pelo que importa passar às novas gerações este testemunho, como prática correta e louvável.

Numa época em que todos percebemos que a Europa está doente e que o diagnóstico em Portugal não é muito diferente, importa reforçar os valores da ética, da moral em detrimento da fixação nos valores do poder, do protagonismo e do dinheiro.

Estou certo que, se todos os governantes que se lhe seguiram tivessem seguido o seu exemplo o país não teria sido atirado para a desgraça em que, agora, os atuais governantes a todo o custo o tentam resgatar.

Por tudo isto, esta homenagem é justa e muito merecida.