Um governo familiar ou os ungidos de Deus

por PN | 2019.02.19 - 09:12

 

 

Hoje ou ontem, Rui Rio, o líder da oposição PSD insurgia-se contra a instabilidade política gerada pela constante dança de cadeiras no seio do governo PS.

6 remodelações; 10 mudanças de ministros; 21 alteração de secretários de estado…

 

E de facto, que quererá isto dizer?

Que os ditos são escolhidos por palpite e não por mérito e quando não dão conta do recado vão dar uma volta para outras paragens?

Que os candidatos são tantos que é necessário satisfazer as clientelas todas em regime de rotatividade?

Derradeira hipótese, o PS tem muitos candidatos mas poucos com competência e assim, no tabuleiro do xadrez político, ora agora são ministros, ora são secretários de estado, ora são deputados europeus?

Contudo, o mais gritante é a emersão dos “ungidos de Deus”, ou seja, no mesmo conselho de ministros, começarem a aparecer famílias inteiras, como tribos políticas, de marido e mulher, pai e filha, chegando-se a este notável caso quase trump-style de um marido ministro, uma filha ministra e a mulher do ministro deputada .

Faltou o tareco Bonifácio….

Terão todos andado em boa escola e serão dotados de uma forte competência/apetência para estas lides e, no fundo, Portugal, país tacanho e minúsculo com apenas 11 milhões de habitantes, porque não há-de, contrariando o cálculo de probabilidades, ter três membros do mesmo clã no Governo?

Carlos César, o boss dos Açores até já tinha dado o exemplo.

Insólito mesmo é estranharmos, que à nossa ínfima dimensão, pessoas como o Sr. Carneiro, o ex-presidente de Castro Daire, tenha aproveitado a sua “incursão autárquica” para meter no município parte da família.

Afinal onde está o mal, quando o exemplo vem de cima?

Em boa verdade, se não tivermos fé e não confiarmos na família em quem devemos nós confiar? Na oposição?