Um ensino de qualidade

por José Eduardo Feio | 2014.01.09 - 19:30

No ponto 2 do artigo 74º da constituição portuguesa lê-se o seguinte: “O Estado promove a democratização da educação e as demais condições para que a educação, realizada através da escola e de outros meios formativos, contribua para o desenvolvimento da personalidade, para o progresso social e para a participação democrática na vida colectiva.”

A definição de qualidade de ensino depende intrinsecamente das qualidades e das capacidades que pretendemos que este transmita a quem o frequenta.

Actualmente o ensino português obrigatório pretende, essencialmente, preparar pessoas para entrarem no mercado de trabalho, esta é a base a partir da qual os defensores deste modelo avaliam a qualidade do mesmo e é com base nesta que o orientam e constroem.

Estamos a assistir a uma deriva do ensino direcionada no aumento dos conhecimentos específicos e a afastar-se do ensino para a cidadania, da formação de todos e de cada um enquanto cidadãos, em toda a plenitude e responsabilidade que esta palavra acarreta.

Não pretendo, obviamente, defender que não interessa formarmos pessoas com conhecimentos específicos numa determinada área antes da sua entrada na universidade, isso é importantíssimo, mas não é de todo suficiente, muito pelo contrário.

Sem o instigar de uma formação mais humana, cultural e interventiva põe-se em causa, não só a individualidade de cada ser pertencente à nossa sociedade enquanto cidadão, a sua capacidade de defender efectivamente os seus direitos e de se defender como sendo algo mais do que apenas um número numa tabela de excel, como a própria sustentação e continuação da sociedade em geral enquanto uma sociedade activa e defensora de si mesma, dos seus interesses comuns enquanto sociedade e dos interesses individuais de todos os cidadãos de igual forma.

É essencial que se forme pessoas que iram ser membros activos de um determinado mercado de trabalho específico mas, mais importante, é essencial que todos os seres que terminem o ensino obrigatório o façam enquanto cidadãos e não enquanto membros alheios de uma sociedade da qual pouco sabem e nada se interessam por conhecer.

Sendo assim, lutemos pelo aumento da qualidade do nosso ensino, mas não de qualquer tipo de ensino. É essencial que definamos o ensino que queremos e o que queremos que este transmita, pois o ensino que escolhermos para os jovens de hoje vai definir os cidadãos que vamos ter amanhã.