Trio harmonia e Barthes…

por PN | 2019.04.01 - 11:34

 

 

Nesta fotografia estão Luís Filipe Vieira, o presidente da Federação e o secretário de estado do Desporto.

Nada de mais. Les beaux esprits se rencontrent. A política dá-se bem com o espectáculo.

A cena passa-se na tribuna de honra do estádio da Luz, durante o jogo entre Portugal e a Sérvia (?) — penso eu que sou um ignorante em matéria de futebol.

Roland Barthes, no seu livro a Câmara Clara, diz-nos que as fotografias, na sua óptica, possuem dois elementos estruturais.

A) algo que nelas desperta um interesse geral, «um afecto médio». A este elemento Barthes chama studium, palavra de etimologia latina cujo significado imediato é estudo, gosto por alguém, «uma espécie de investimento geral».

B) este studium é quebrado por algo que salta da fotografia como uma flecha e o trespassa. É o punctum da foto, palavra que pode significar picada mas também pontuação e marca. «O punctum de uma fotografia é esse acaso que nela me fere (mas também me mortifica, me apunhala)».

Ora nesta fotografia, aparentemente “inerte” quanto à matéria, há três “picadas“:

A pose empertigada do presidente da federação, muito senhor da sua auctoritas, na legitimação de um reconhecimento social (civilização do espectáculo…).

O ar divertido, ridente e de gozo de Filipe Vieira, costas voltadas ao sE.

E a fácies deslumbrada/atarantada de João Paulo Rebelo, a quem ninguém na fotografia parece ligar peva, anteontem cultivando mirtilos coadjuvado pela COAPE, ontem empresário da comunicação social, com João Cotta Rebelo e Francisco Rebelo (os 3 Rebelos), hoje, com efémero assento ao lado dos “poderosos de circunstância”.

Reviravoltas do mundo. O punctum é lixado…

 

(Foto DR)