Treinadores também têm culpa!

por Vitor Santos | 2016.04.01 - 19:20

 

Numa altura decisiva dos campeonatos jovens – realização das fases finais, a intervenção do treinador toma uma maior amplitude com a necessidade de ter de saber gerir expetativas e frustrações criadas ao longo da época.

Nos últimos tempos tem-se assistido a um aumento de bibliografia sobre o comportamento dos pais na atividade desportiva dos filhos. A verdade é que os pais são um dos agentes envolvidos no processo de formação. Mas não são os únicos. Escusado será dizer que o que a criança/jovem aprende do comportamento ético no clube deve primeiro ser praticado. Nisto os treinadores têm uma grande responsabilidade. Através do seu comportamento podem fazer com que se lembrem deles toda a vida.

Ainda são muitos os casos, pouco noticiados, em que quem deve ser o bom exemplo de comportamento social e desportivo é quem prevarica e influencia negativamente a formação dos atletas e incentiva a um comportamento reprovável por parte dos pais e adeptos. Continua-se a saber e a ver estes agentes desportivos a serem atores – péssimos, de atos de violência, vaidade ou falta de ética.

Os clubes não são exigentes na escolha dos seus treinadores. Os perfis destes não são importantes quando o deviam ser. Não chega ter formações técnicas e académica para ser-se formador. Até quando se vão permitir desvios de comportamentos éticos e desportivos em troca de uma vitória efémera e, quase sempre, considerada pessoal?!

É que o treinador é um professor/formador dos jovens praticantes, desempenha um papel fundamental na transmissão de valores éticos a todos os que com eles se relacionam, sendo esta responsabilidade partilhada com os clubes.

As atitudes comportamentais nos jogos, o aliciamento a atletas, as relações treinador-atleta, treinador-pais, treinador-adversários, treinador-árbitros têm de ser sujeitos a um escrutínio por parte de quem contrata. Constata-se haver treinadores que são os promotores de conflitos em vez de assumirem a responsabilidade na transmissão e fortalecimento de valores éticos. Mas a “Lei do Retorno”, que diz que tudo aquilo que vai, também volta…. um dia cai-lhes em cima. Serve para todos: clubes, treinadores, pais…!

O treinador tem na competição uma ferramenta educativa e, pode sempre optar por promover a socialização, o desenvolvimento de novas amizades e o seu fortalecimento, reforçando estilos de vida saudáveis e estimulando a participação comunitária e a coesão social, ou… pelo contrário, pode promover a violência, a manipulação, a batota, o ganhar a qualquer custo para o seu próprio ego.

Quando agimos no interesse comum o nosso comportamento em relação ao clube e atletas é automaticamente positivo. Quando agimos no nosso interesse pessoal não estamos a formar ninguém. Estamos a envaidecer-nos.

Vitor Santos nasceu em Viseu no ano de 1967. Concluiu o Curso de Comunicação Social no IPV. Conta com várias colaborações na Imprensa Regional. Foi diretor do Jornal O Derby.

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