“TOCA A BANDA NO CORETO”

por Cílio Correia | 2017.03.06 - 09:43

 

 

 

A história do antigo Coreto do Jardim de Tondela está por contar. O Coreto embelezava um espaço ajardinado, ex-libris de Tondela, que, a dada altura, foi desmantelado. A Banda Filarmónica tinha ali um palco privilegiado para se mostrar às suas gentes. O Jardim Público era um local de encontros e espaço lúdico domingueiro. Enfim, a sala de visitas da terra.

O Coreto era bonito, hexagonal, composto por pedras graníticas aparelhadas, tinha uma cobertura metálica onde sobressaia um rendilhado em ferro, e grades de ferro forjado pintadas a verde-escuro, entremeado pela lira, que embelezava os espaços ajardinados e dava vida aos carreiros em terra batida.

Os coretos surgiram em meados do século XVIII. Enraizaram-se na cultura popular e rara a cidade ou vila que não tivesse um coreto. O grupo musical «Jafumega» e o Luís Portugal recuperaram esse imaginário com a faixa, “toca a banda no coreto”. Para ele, «O coreto era sinónimo de festa. Era um património relevante que se desleixou. O que se fez com os coretos é o mesmo que se fez com o desleixo cultural deste país. Para além de serem um património cultural arquitetónico, é pena a falta de apoio às nossas filarmónicas que são um viveiro de músicos

Pois bem, em Tondela houve um pouco de tudo isso. Sem qualquer laivo de saudosismo ou revivalismo bacoco, não será demais apelar à reconstrução do antigo Coreto num espaço como o Parque Urbano, recuperar a sua traça arquitetónica e dar-lhe dimensões e meios tecnológicos para abrilhantar as atuações da Banda Filarmónica Tondelense. Reativar esta herança cultural é, pois, um desafio, para contrariar o desleixo e esquecimento a que foi devotado algum do património concelhio.

 

(foto DR)