Tendências alimentares 2015

por Rui Coutinho | 2015.02.04 - 16:57

 

 

As tendências ditadas por alguns gurus em cada sector marcam de modo decisivo o futuro comportamento dos clientes nas diferentes áreas. O sector da alimentação não é indiferente a esta postura.

As alterações e novidades preconizadas para 2015 são o resultado de comportamentos que provavelmente se propagarão num horizonte temporal maior.

A faixa etária dos 20 aos 35 anos (geração Y ou da internet), que actualmente representam 1/3 da população mundial, são os clientes a conquistar. Trata-se de uma geração muito bem informada, que deseja conhecer a história dos diferentes produtos, está disponível para experimentar novos formatos e, em particular o conceito “natural”, e não se deixa vincular de modo definitivo aos habituais produtos.

A revolução registada nos rótulos alimentares irá marcar o novo calendário legislativo. A procura por uma informação verosímil, fácil de interpretar e transparente será um dos aspectos mais valorizados.

Os alimentos e refeições já preparados representarão uma aposta da indústria e, neste sentido, é certo o surgimento de embalagens (kits) com os diferentes alimentos e condimentos para facilitar as experiências a desenvolver por cada um.

O novo comportamento evidenciado pelos consumidores é o resultado de uma cultura gastronómica mais diversificada que conquistou a atenção de muitos, patrocinada pelos vários programas e concursos televisivos exibidos em horário nobre, a que não serão indiferentes os múltiplos livros recentemente publicados. Exemplos não faltam.

Os snacks, alimentos fáceis de adquirir a qualquer momento, passam a estar cada vez mais na berra. A procura por gorduras de elevada qualidade (Omega-3) e de hidratos de carbono naturais são uma realidade que conquista cada vez mais espaço.

As proteínas continuam em estudo e a sua utilização, na forma vegetal, é uma evidência (algas, soja). Os produtos congelados continuarão a conquistar clientes. Os alimentos oriundos deste processo tecnológico evidenciam elevada qualidade nutricional e comodidade no uso. Os produtos de marca branca, com um preço final 30% abaixo dos de marca, denotarão um contínuo crescimento, desde que a relação preço-qualidade se mantenha num bom nível.

Nos cereais, a textura será o atributo mais valorizado em detrimento do odor e sabor.

Se estas serão algumas das tendências talvez será importante perceber muitas das alterações que ocorrem já há 8 anos.

Segundo a Mintel, empresa especializada em estudos de mercado, é possível quantificar as alterações produzidas nos novos alimentos com crescimentos exponenciais. Nas classes “sem” ou com reduzido valor “light” em gordura, corantes, conservantes, glúten, calorias, alergénicos e lactose, entre outros, os exemplos sucedem-se.

De 2005 a 2012, os alimentos sem gordura aumentaram 400% (iogurtes, cereais, comida preparada). Os sem colesterol cresceram a uma taxa de 60% ao ano. Em igual período, os produtos sem alergénicos aumentaram 700% (snacks, bebidas energéticas, batatas e bolachas). Os sem gordura trans cresceram 600% (bolachas, produtos da panificação, doces, snacks). As bebidas sem conservantes aumentaram 300% (sumos) e os produtos sem lactose registam acréscimos de 250%. No período em análise, foram lançados 7000 novos produtos sem açúcar e os sem sal revelaram um crescimento de 160% (cereais, bebidas gaseificadas, snacks, cereais, bebidas energéticas).

A procura por alimentos com propriedades diferenciadas, funcionais, mais equilibrados, de melhor valor nutricional e de fácil utilização são por esta altura uma realidade que apenas tenderá a aumentar. Os novos consumidores, ao denotarem uma informação mais ecléctica nestas vertentes e com diferentes predisposições para a sua aquisição, têm contribuído de forma determinante para a revolução que se encontra em marcha já há algum tempo.

 

Técnico Superior a exercer funções na Escola Superior Agraria de Viseu (ESAV) com ligações a projectos agrícolas e agro-alimentares é Bacharel em Engenharia Agro-Alimentar pela ESAV, Licenciado em Enologia pela Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) Mestre em Biotecnologia e Qualidade Alimentar pela UTAD e com o Curso de Doctorado em Bromatologia e Nutrição pela Universidade de Salamanca.

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