Tendências agro-alimentares 2014

por Rui Coutinho | 2014.02.13 - 09:50

Um dos aspectos de maior relevância para qualquer nação, entidade ou organismo é procurar definir uma trajectória exequível e possível de alcançar. Definidos os objectivos, é crucial adoptar mecanismos e procedimentos para conseguir almejar as metas traçadas.

Tendo por base este desígnio, foi recentemente divulgado pela PortugalFoods (entidade que agrega todo o sector agro-alimentar) um conjunto de ideias e tendências de acordo com a actual conjuntura. Do vertido, arrisco-me a dizer que muitas das projecções agora enumeradas terão forçosamente uma abrangência temporal alargada.

Os consumidores, até à data, mantêm-se como sempre ávidos por experimentar novos produtos e manifestam um elevado interesse na prova e consumo de produtos diferenciados. As dinâmicas criadas a nível industrial em I&D, muitas das quais alicerçadas em parcerias com instituições de ensino superior, carecem de reforço. Sobre este assunto, o Ex.º Senhor Ministro da Economia já esclareceu o seu ponto de vista, aquando da recente celeuma relativa à atribuição de bolsas de doutoramento na tutela da FCT. Novos conceitos e produtos estão na calha. Referimos, apenas a título de exemplo, os alimentos desidratados, a cerveja de fabrico tradicional, os cogumelos, os azeites aromatizados e muitas outras iguarias sob a insígnia gourmet. A utilização de embalagens recicláveis e/ou comestíveis deverá sofrer forte incremento. Neste campo não nos podemos esquecer dos recentes alimentos já possíveis de imprimir. Sim, imprimir!

A necessidade de desenvolver novos sistemas para a redução do desperdício alimentar é provavelmente uma das metas que muitos desejam alcançar, recorrendo para tal a uma gestão mais atenta, cuidada e monitorizada de modo diferente. A adopção de embalagens de tamanho superior para alimentos não perecíveis, em complementaridade com a utilização de embalagens de pequena dimensão para consumos mais regulares, certamente irá invadir as prateleiras.

A proveniência dos alimentos continua a estar na ordem dia. Neste campo, os produtos portugueses parecem continuar a ser reconhecidos e diferenciados por todos. A possível preferência pelo que é nacional, e bem, deverá ser acompanhada pela melhor relação preço/qualidade, aspecto cada vez mais valorizado e talvez o mais determinante no acto da compra.

Surge, também, a necessidade de reforçar o nível de confiança de toda a cadeia alimentar, quebrado após os estrondosos escândalos de forte impacto (carne de cavalo e do bacalhau que afinal era peixe-gato), os quais não deverão ter mais lugar. A reestruturação que se avizinha nos serviços e laboratórios estatais de controlo alimentar por certo visa salvaguardar esta demanda.

Em termos nutricionais, a indústria deverá continuar o trabalho no sentido da redução do sal, açúcares e gorduras nos alimentos, procurando promover a sua substituição. As recentes prescrições nutricionais de elevado pendor proteico e de efeito dietético (que saciam o apetite e controlam o peso) parecem também vir a fomentar o seu consumo. A oferta proteica é já generosa e diversidade para este fim, resta no entanto saber se é a mais adequada!

Descritas algumas das tendências para o sector, caberá a cada um dos intervenientes ter a capacidade e audácia de moldar os seus produtos à actual conjuntura.

 

Técnico Superior a exercer funções na Escola Superior Agraria de Viseu (ESAV) com ligações a projectos agrícolas e agro-alimentares é Bacharel em Engenharia Agro-Alimentar pela ESAV, Licenciado em Enologia pela Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) Mestre em Biotecnologia e Qualidade Alimentar pela UTAD e com o Curso de Doctorado em Bromatologia e Nutrição pela Universidade de Salamanca.

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