SYRIZA, CRÓNICA DE UMA MORTE ANUNCIADA?

por José Carreira | 2015.07.02 - 13:10

 

 

Nem a senhora Merkel nem o senhor Schäuble são demónios, nem os senhores Tsipras e Varoufakis são anjos e vice-versa. As exigências alemãs e do FMI, de mais e mais austeridade, são questionáveis e podem fazer o a Grécia morrer da cura e não da doença. A Grécia, durante anos, mascarou as contas e nunca teve vontade de fazer as reformas que poderiam contribuir para o equilíbrio económico e financeiro, deixando-se arrastar para o caos que se ia anunciado, mas que os dirigentes teimassem em assumir uma miopia seletiva.

É triste, para nós europeus, e humilhante para os gregos, também eles europeus (é bom não esquecer!), ver filas de pessoas para levantar no máximo 60,00€…

Ontem, durante o almoço, uma colega que faz 25 anos de casada comentou que o marido desvendou a surpresa que lhe tinha preparado para celebrarem as bodas de prata. Ao ver as notícias do estado de sítio do povo heleno, ficou perplexo, empalideceu e confessou: “Tenho tudo preparado para festejarmos em Atenas…” O receio que a colega denotou à refeição foi agravado pelos incentivos à desistência, da Grécia como destino turístico, formulados pelas restantes convivas.

O Syriza parece um elefante louco numa loja de porcelana. Em seis meses destruíram o sistema financeiro e bancário e nada fizeram de positivo com relevância que mereça ser referido. Reformas estruturais e orçamentais nem pensar… Não terão tido tempo entre as duas visitas “diplomáticas” que realizaram a Moscovo, prestando vassalagem a Putin, a que recusam aos que acusam de destruir o seu país… Enfim, prioridades, interesses, jogos perigosos, realpolitik…kremlinpolitik…geoestratégia…petrodracmas…petrorublos…

Uma coerência que lhes reconhecemos, desde o momento em que decidiram dar as mãos à Aurora Dourada, um partido de extrema direita, no pólo oposto do seu espectro político, talvez por isso se tenham atraído mutuamente. Será que pesou assim tanto o facto de serem contra a Europa e desejaram a saída do Euro?

Sinais preocupantes que não são bons augúrios na mesa das negociações, para nem falar do modo grosseiro como se referem aos diversos interlocutores.

Não sou apologista de bons de um lado, e maus do outro. Mas o excesso de taticismo dos governantes gregos e a sua manifesta e reiterada incapacidade diplomática deixa-me com os dois pés atrás quanto às suas reais intenções. Dizer que Portugal é o país que se segue, denota uma insensibilidade diplomática e desrespeito para com os parceiros que, no meu entender, não querem que se abra a caixa de pandora com a putativa saída dos gregos do euro.

Não pagar ao FMI, não é uma novidade, já outras nações incumpriram: a Somália, o Zimbábue e o Sudão. Para o bem-estar do povo grego e a estabilidade da União Europeia, ainda acredito que seja possível, depois do número de ilusionismo do referendo, que as partes se entendam em prol do todo que somos nós, cidadãos da Europa.