Sucessão polémica no Teatro Viriato

por Carlos Cunha | 2017.01.03 - 12:05

 

 

O ano de 2016 chegou ao fim marcado pela polémica entre o executivo autárquico, liderado por Almeida Henriques, e a Direção do Centro de Artes do Espetáculo de Viseu – Associação Cultural e Pedagógica, a quem compete a gestão e a direção artística do Teatro de Viriato.

A história narra-se em poucas linhas e na sua génese está a saída da direção geral e artística de Paulo Ribeiro do Teatro Viriato, onde se encontrava desde 1998, data da reabertura, para assumir a direção artística da Companhia Nacional de Bailado. Um convite desta importância, outorgado ao agora ex-Diretor, representa um certificado da sua enorme competência.

Para compreendermos melhor esta narrativa, nunca é demais relembrar que o Teatro Viriato é um teatro Municipal, cuja gestão e direção artística é repartida pelas seguintes entidades: Centro de Artes do Espetáculo, Ministério da Cultura através da Direção Geral das Artes e do Espetáculo e Câmara Municipal de Viseu. Numa análise simplificada, podemos dizer que a estes dois últimos organismos são os principais responsáveis pelo financiamento.

Estando Paulo Ribeiro de saída, havia de se encontrar quem lhe sucedesse nas suas funções. É então que surge o nome de Paula Garcia, um nome desconhecido para a esmagadora maioria dos viseenses, entre os quais me incluo, mas extremamente reconhecida e respeitada entre os seus pares e braço direito de Paulo Ribeiro, desde os primeiros anos.

Paulo Ribeiro e seus pares, numa decisão certamente muito bem ponderada, consideraram que a solução ideal para a direção geral e de programação passaria por Paula Garcia. Pelo que surgiu nas notícias propósito deste tema, Almeida Henriques revelou muito pouco entusiasmo com a escolha, pois, em seu entender seria melhor um Diretor da Primeira Divisão, numa simbiose perfeita entre futebol e cultura.

Entre avanços e recuos, a Autarquia passaria a deter a responsabilidade de nomear o Diretor Artístico, chegando-se, deste modo, a um acordo que desagradava a ambas as partes.

Acontece que na virada do ano, o Município, ao deglutir as tradicionais passas, tomou a resolução de assumir um papel mais ativo na direção artística do Teatro Viriato.

Este súbito interesse do edil viseense é que nos causa perplexidade, pois após uma leitura atenta do Programa Viseu Primeiro, o então candidato Almeida Henriques, no longínquo ano de 2013, prometia aos viseenses a criação de uma agenda cultural municipal e uma estratégia de comunicação e marketing integrada respeitando a autonomia e iniciativa dos agentes culturais.

O que terá feito Almeida Henriques, presidente da autarquia viseense, mudar de ideias de então para cá?

Aproveito para vos desejar um 2017 com muita saúde!

 

 

 

Carlos Cunha é militante do CDS-PP de Viseu e deputado na Assembleia Municipal. Licenciado em Português/Francês pela Escola Superior de Educação de Viseu concluiu, em 2002, a sua Pós Graduação em Educação Especial no pólo de Viseu da Universidade Católica Portuguesa.

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