Sou da geração sem remuneração

por Luís Ferreira | 2015.04.12 - 20:40

Q

 

Desde longa data, aprecio e prezo um grupo inovador português, contemporâneo e sem papas na língua. De seu nome Deolinda, não se afligem em medo, e deitam cá para fora o que é preciso dizer, com uma categoria inigualável e com sonoridades excecionais.

Partilho assim, uma das letras que mais enalteço, da música “Parva que sou”. Uma representação atual do que vive qualquer jovem. No entanto, faço apenas o pequeno ajuste ao masculino, e considero-me quase uma Deolinda:

“Sou da geração sem remuneração

E nem me incomoda esta condição.

Que parv[o] que eu sou!

 

Porque isto está mal e vai continuar,

Já é uma sorte eu poder estagiar.

Que parv[o] que eu sou!

E fico a pensar,

Que mundo tão parvo

Que para ser escravo é preciso estudar.

 

Sou da geração ‘casinha dos pais’,

Se já tenho tudo, para quê querer mais?

Que parvo que eu sou!

Filhos, [esposa], estou sempre a adiar

E ainda me falta o carro pagar,

Que parv[o] que eu sou!

E fico a pensar

Que mundo tão parvo

Onde para ser escravo é preciso estudar.

 

Sou da geração ‘vou queixar-me para quê?’

Há alguém bem pior do que eu na tv.

Que parv[o] que eu sou!

Sou da geração ‘eu já não posso mais!’

Que esta situação dura há tempo demais

E parv[o] não sou!

E fico a pensar,

Que mundo tão parvo

Onde para ser escravo é preciso estudar.”

 

Luís Ferreira é natural de Ferreirim, Sernancelhe, tem 17 anos e é estudante de Economia.

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