SMAS: Razões para não mudar

por Carlos Cunha | 2015.07.04 - 10:25

 

 

Na última Assembleia Municipal (AM), o CDS-PP votou contra a passagem dos SMASV a Águas de Viseu, empresa municipal, que a autarquia pretende criar, mantendo na sua posse 100% do capital.

O argumento de dotar os SMASV, futuras Águas de Viseu, de maior escala, potenciando a sua sustentabilidade económica e financeira não colhe, por estarmos perante um organismo público que possui autonomia administrativa e financeira, explorado sob a forma empresarial com uma tesouraria equilibrada e lucros superiores, nos últimos três anos, a mais de um milhão de euros, reinvestidos na rede pública.

As contas do SMASV estão sujeitas à aprovação da Câmara e da AM. Este ano, com a legalização de inúmeras ligações à rede pública, os resultados financeiros serão igualmente muito positivos.

No atual modelo de gestão, não existem encargos com o Conselho de Administração, que não é remunerado, coisa rara nos dias que correm.

Como os SMASV não têm dificuldades de tesouraria não lhes é difícil aceder ao crédito, necessitando apenas do aval do Município.

As obras de infraestrutura e de saneamento estão realizadas, por isso, não se vislumbra a necessidade de realizar investimentos elevados, excluindo os provenientes de roturas e ligeiras melhorias, destinadas a aumentar a pressão da água. A grande obra é a ETAR de Viseu Sul, construída com financiamento do POVT. Servirá cerca de 90 mil habitantes do concelho e tem um prazo de validade de cerca de 40 anos.

A água fornecida é de qualidade e de confiança, sendo o preço cobrado, quando comparado com outros Municípios próximos, aceitável. Os viseenses consomem água de primeira, galardoada, em 2013 e 2014, com o selo de Qualidade Exemplar de Água para Consumo Humano, atribuído pela ERSAR, o que levou Almeida Henriques a afirmar que “os SMAS entram no top nacional das melhores entidades gestoras de serviços de abastecimento público de água”. Se a água é de qualidade e os SMASV são bem geridos a quem servirá a mudança?

A robustez financeira dos SMASV permitiu que fossem anunciadas medidas destinadas a baixar o preço pago pelos consumidores como é o caso das famílias numerosas ou carenciadas. A sustentabilidade ambiental não foi deixada de lado, tendo a Autarquia anunciado a instalação de contadores de última geração.

Last but not the least, não querendo duvidar da boa fé e da transparência do processo de transição dos funcionários do atual SMASV para as Águas de Viseu temos reservas quanto à forma como a mesma se irá processar e se salvaguardará os interesses dos seus colaboradores.

Se esta mudança não nos convence só a podíamos recusar.

 

 

Carlos Cunha é militante do CDS-PP de Viseu e deputado na Assembleia Municipal. Licenciado em Português/Francês pela Escola Superior de Educação de Viseu concluiu, em 2002, a sua Pós Graduação em Educação Especial no pólo de Viseu da Universidade Católica Portuguesa.

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