Silly season das Beiras

por Vitor Santos | 2015.09.11 - 12:08

 

Silly season é o termo que foi adotado em desporto para identificar o período do ano – Verão, em que não há campeonatos. Esta é a altura em que a comunicação social recorre a pseudonotícias para preencher as suas páginas.

Diariamente alimentados com informações pouco rigorosas, com especulações sem sentido e com promoções – gratuitas, a quem nada fez, ainda, para o merecer.

Tudo isto a exemplo de notícias de crianças a assinar por clubes como se do Cristiano Ronaldo se tratassem. A exposição a que são sujeitos é um motivo de vaidade e nada mais. Em nada contribui para a sua formação ou faz parte de um estratégia de desenvolvimento desportivo ou social.

Os pais gostam de ver os seus meninos nos jornais. Não tem mal nenhum se fosse notícia. Informação relevante. Mas quem é o Manuel, de 9 anos, que assina pelo clube x??!! Que fez ele mais do que todos os seus colegas para ser notícia?!

Onde está a igualdade de tratamento, a isenção?! São centenas de crianças a jogarem nos clubes do distrito. Todas elas vão ser notícia?! Quais os critérios jornalísticos que estão na base das escolhas? O mérito não é de certeza.

Esperemos que não seja por o Manuel aos 9 anos em vez de estar a iniciar a prática desportiva federada esteja a concluí-la porque quem o rodeia não o tem em atenção, mas aos seus próprios interesses, ao seu ego. Quantos potenciais Ronaldos e Messis nem chegam aos juniores?!!

E no caso dos treinadores aplica-se o ditado popular de que «quem não é visto não é lembrado», e daí o colar aos jornais. As unhas dos pés doem sempre aos mesmos. Coincidências a mais. Protagonismo saloio ou bolsa de emprego?! Porque é o que parece. E nestas coisas o que parece é.

A comunicação dos clubes tem evoluído e em alguns clubes regionais ou mesmo recém-chegados ao panorama nacional encontramos bons exemplos de grande competência e profissionalismo. Mas é responsabilidade da comunicação social saber o que é notícia de interesse público e o que é informação clubística e que tem os seus canais próprios.

À medida que a idade avança apuramos o nosso sentido critico e só come «gato por lebre» quem anda – ou se faz, muito distraído. Eu quando entendo por bem também me faço de distraído… silly é que não gosto que me façam!

 

Vitor Santos nasceu em Viseu no ano de 1967. Concluiu o Curso de Comunicação Social no IPV. Conta com várias colaborações na Imprensa Regional. Foi diretor do Jornal O Derby.

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