Silêncio ruidoso

por Vitor Santos | 2017.08.10 - 11:42

 

O silêncio é mensagem. Quando não respondemos ao outro, estamos a enviar uma mensagem.

Quando não temos necessidade de falar/ouvir “Bom dia”, “Olá” ou “Boa noite”, em contraponto com o silêncio, é porque não estamos disponíveis para ser sociáveis com determinada pessoa.

Utilizamos amiúde o silêncio, mas temos medo dele. Torna-se deveras perigoso para a saúde mental.

O medo das palavras leva à fuga em direção ao silêncio. A verdade é que não ansiamos encontrá-lo. Estar no silêncio é um estado de alma que não se compadece quando praticado no meio de uma multidão.

O silêncio é, pode ser, um som forte. Um ruído ensurdecedor. Para nós e para os que nos rodeiam. É comum agarrarmo-nos aos telemóveis e redes sociais para combatermos o silêncio. Na prática, estamos a perpetuá-lo.

As pessoas estão voltadas para o telemóvel, falam via WhatsApp ou Skype, postam tudo no Facebook, e, além disso, o que é mais preocupante é a falta de interesse pelo outro. O silêncio em que se refugiam por preguiça, impaciência ou egoísmo.

Devia ser complicado para a sociedade atual viver no silêncio. As pessoas enganam o silêncio através dos “gosto” no Facebook, que nunca são só um agrado, são também uma forma de reconhecimento.

“Remeto-me ao silêncio” é uma expressão muito utilizada, em que o silêncio é usado para esconder a culpa ou evitar uma discussão. É nestes casos uma defesa. Uma fuga sempre.

É uma contradição escrever sobre o silêncio. O silêncio é pessoal. Não se partilha.

Talvez seja uma opção sábia recear o silêncio!

 

 

 

 

desenho de Paulo Medeiros

Vitor Santos nasceu em Viseu no ano de 1967. Concluiu o Curso de Comunicação Social no IPV. Conta com várias colaborações na Imprensa Regional. Foi diretor do Jornal O Derby.

Pub