SERÁ QUE OS ANIMAIS REALMENTE SENTEM DOR?

por Ana Cristina Mega | 2013.12.17 - 22:05

A resposta é afirmativa e baseada:
Na resposta comportamental
Na resposta fisiológica
No princípio da analogia

Historicamente acreditava-se que os animais não sentiam dor, ou se a sentiam, seria de forma diferente dos humanos.
A dor é um fenómeno complexo que envolve elementos fisiopatológicos e psicológicos de difícil interpretação nos animais. Segundo a Associação Internacional para o Estudo da Dor (IASP), esta é definida como sendo “uma experiência sensorial e emocional desagradável, associada a lesões tecidulares reais ou potenciais”.
Já todos observámos um animal a magoar-se e cuja reacção imediata foi afastar-se do objecto/situação que lhe provocou a sensação desagradável ou ainda, outros, a esconder e a proteger a zona ferida (resposta comportamental).
Em animais sujeitos a doenças ou intervenções tidas como dolorosas, os parâmetros fisiológicos avaliados encontram-se alterados em conformidade (resposta fisiológica).
Perante estímulos mecânicos, térmicos e químicos nocivos, distingue-se a “dor” e a “nocicepção”. A nocicepção é a captação e transformação desses estímulos em impulsos nervosos por receptores sensoriais especializados, os nociceptores, e sua posterior transmissão, por vias neuronais, até ao encéfalo. É, no entanto, à interpretação consciente desta sensação que se chama dor. Assim, as estruturas do encéfalo são responsáveis pelas reacções emocionais e pelo processo cognitivo (localização, intensidade e memorização). Como todo este processo existe nos vertebrados, então pelo princípio da analogia, pode-se extrapolar que qualquer estímulo doloroso para um ser humano o será também para um animal.
É eticamente recomendável adoptar um ponto de vista antropomórfico quando se aborda a dor nos animais. Visto que todo o fenómeno doloroso é comum, não se pode considerar que esteja ausente em situações homólogas apenas pela incapacidade da expressão verbal dos animais.

A dor é uma emoção que mora no cérebro – Platão, 375 A.C

Médica veterinária, docente na Escola Superior Agrária, ISPV

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