Será que Costa sabe que perdeu?

por Tiago Coelho | 2015.10.07 - 12:43

Os grandes líderes são aqueles que estão preparados para ganhar, mas também para perder. São aqueles que se congratulam pela vitória, mas também assumem mea-culpa na derrota felicitando o adversário.

António Costa, como todos os líderes dos grandes partidos teria preparado um discurso de vitória e um no caso de o PS não conseguir vencer as legislativas. Depois de assumir categoricamente com um “Obviamente não me demito”, Costa, no Altis, impôs quatro condições à Coligação Portugal à Frente para haver uma hipótese de governabilidade a três. Esse momento ficou marcado por alguma estranheza, “Será que Costa pegou no discurso correto? Será que ele sabe que o Partido Socialista perdeu as legislativas?”, enfim, uma série de perguntas surgiram com aquele discurso.

Um líder que acaba de ter uma derrota desastrosa e histórica (nenhum partido tinha, até ao momento, conseguido vencer umas eleições após um programa de resgate), não pode, ou pelo menos não deve, impor condições de governabilidade a quem venceu, condições essas que faziam parte do Programa Eleitoral do Partido Socialista (que perdeu as eleições!).

Poderá tornar-se credível uma figura política que se está “cagando para a justiça” (palavras do próprio quando esteve no governo como Ministro de Estado e da Administração Interna)? E será que os Socialistas lhe perdoam a falta de ética política para com António José Seguro (é caso para dizer, o seguro não morreu de velho, o seguro está a morrer de rir)?

A única atitude correta de António Costa ao longo do discurso pós-eleições, e provavelmente o mais sensato ao longo de toda a Campanha Eleitoral, terá sido quando afirmou que não governaria com a Coligação sem haver cedências, nem quando deu a entender que uma Coligação à esquerda estará fora de questão. Em ambos os casos, Costa sabe das suas fragilidades dentro do próprio PS, e das fragilidades entre os três partidos de esquerda, que fizeram uma Campanha Eleitoral de constantes ataques, abrindo assim caminho para uma vitória, CATEGÓRICA, da Coligação Portugal à Frente!

Agora só nos resta esperar para saber o que acontece na reunião da Comissão Política Nacional do PS, e saber o que o futuro reserva para António Costa. A questão não é se a haverá ou não demissão, a questão é se é para breve ou só depois das presidenciais. O resultado eleitoral desastroso, decerto não permitirá a continuidade de Costa como Secretário-geral do Partido Socialista.

Natural de Viseu. Estudante de Contabilidade na Universidade de Aveiro

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