Ser filho de/da puta!

por Rufino Fino Filho | 2014.02.13 - 09:34

Esta foi uma questão de interesse nacional com tanta importância como as cagadelas dos pombos da Praça da Figueira. No entanto, os senhores que dependeram da interpretação da hipotética diferença, consideraram-na um caso de importância extrema a qual definirá o futuro deste miserável país. Se eu os mandar para a puta que os pariu, toda a gente compreende que o insulto não é para a mãe, é para eles. Por estas e por outras é que os defensores do aborto têm alguma razão: de vez em quando, deve praticar-se, a bem da nação.

No meu fraco entender, só os que são, cumulativamente, filhos “de” puta e filhos “da” puta, é que não percebem.  Qualquer labrego já viu que a diferença só existe na boca de quem insulta e nos ouvidos de quem ouve. Quem não entende que é a mesma merda, é que não passa de um grande, enorme, descomunal e estratosférico filho de uma nota de 20 paus.

Afinal, qual é a diferença entre um filho “de” puta e um filho “da” puta? Na verdade nenhuma! Um gajo que seja “de” é igual a outro que seja “da“.  A diferença só existe se um for um grande filho “de” e o outro for um vulgar filho “da“. A verdade é que a puta, mantém-se!

Analisando melhor, direi que, se me chamarem filho “de” puta, não me sentirei melhor do que se me chamarem filho “da” puta. A minha Mãe é sempre atingida pelo insulto, com a agravante de o “da” se referir especificamente a ela, e, o “de” se referir a outra mulher qualquer, que poderia ocupar o seu lugar.

Seja como for, se eu for o alvo do insulto com “da“, tendo como veículo o artigo definido feminino “a“,  referir-se-á à minha progenitora, transformando-a na principal atingida. Se me insultarem com o “de“, o veículo será diferente. Sem artigo definido, torna-se universal, transformando todas as mães em putas. Concluindo, para estes senhores do “de” e do “da“, há muito mais putas do que mães, percebem?

Agora digo eu: pobres Mães que os pariram e desgraçado país que os atura.

O povo que temos já deu conta que alguns Presidentes da/de Câmara, perpetuaram-se no poder, à custa da leitura tardia da Lei, por parte de um Presidente da República que ainda não deu conta que, em Portugal, só há bananas na Madeira.

Ainda assim, desabafo à maneira antiga: puta que os pariu a todos!