Sem Garantia

por Norberto Pires | 2014.08.12 - 11:47

Depois de revelada, por um gabinete de advogados, a ata da reunião de emergência do Banco de Portugal de dia 3 de Agosto de 2014 tudo fica mais claro, ou talvez não.

Veja a ata aqui.

Deixo dúvidas e inquietações:

1. Sobre os 10 mil milhões de euros exigidos pelo BCE e que, segundo a ata, precipitaram a solução inovadora: Na mesma ata o valor que aparece (Ativos de Bancos Centrais) refere pouco mais de 8,339 mil milhões. Então não deveria ser 10 mil milhões (BCE, Banco Central Europeu) + 3,5 mil milhões (ELA, Banco Central de Portugal) = 13,5 mil milhões (total de recursos de Bancos Centrais)?

2. Desde quando é que o BES beneficia do ELA (Emergency Liquidity Assistance)? Desde o fim de Junho? Se isso é verdade, quer dizer que o banco estava já insolvente durante todo o mês de Julho, e já não conseguia liquidez via BCE porque não tinha garantias (colaterais), enquanto que todos andavam a dizer que tudo ia bem e era sólido.

3. A 1 de Agosto o BES tinha 3.5 mil milhões via ELA. Mas isso é dinheiro público gerido pelo BdP e atribuído de forma discricionária pelo BdP em situações de emergência SEM GARANTIA (qd o BCE já não injeta mais liquidez).

4. Uma falência desordenada do BES conduziria a colocar esse valor do ELA em dívida pública (relembro, sem garantia)?

5. Portanto, a solução inovadora foi a de substituir esse dinheiro por dinheiro da TROIKA? É isso?

 

 

Professor Associado da Universidade de Coimbra foi Presidente do Conselho de Administração do Coimbra Inovação Parque e Membro do Conselho Nacional para a Ciência e Tecnologia. Possui Mestrado em Física Tecnológica e Doutoramento em Robótica e Automação pela Universidade de Coimbra. É o Editor do jornal "Robótica". Autor de cinco livros na área da robótica e automação tendo publicado mais de 150 artigos científicos e tecnológicos.

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