Sampaio da Nóvoa em Viseu

por Ana Albuquerque | 2015.08.23 - 18:16

 

Esta foi a terceira vez que estive com Sampaio da Nóvoa, em Viseu. A primeira como participante num seminário de reflexão sobre a Escola, eficientemente organizado pelo Agrupamento de Escolas Infante D. Henrique, onde o Professor fez uma intervenção notável sobre os caminhos e eventuais descaminhos do ensino em Portugal, defendendo, como o faz nos seus estudos, a necessidade de investir, muito seriamente, num espaço público de educação, que não se confina às paredes dos edifícios escolares.

Na segunda vez, tive a oportunidade de o cumprimentar junto à Câmara Municipal de Viseu, numa visita informal à cidade que o acolhia para uma primeira apresentação pública da sua intenção de se candidatar à Presidência da República. Era um candidato que pedia apoios, que perscrutava, ainda, o sentir das pessoas em relação a esta sua nova forma de intervenção cívica, agora num espaço mais alargado de ação.

Ontem, foi a terceira vez. Agora sim, já formalizada a sua candidatura, já apresentada a sua Carta de Princípios, já reunidos alguns apoios partidários, alguns mesmo muito titubeantes, e a agregação de muitas pessoas de diferentes quadrantes políticos, que acreditam que o candidato pode fazer a diferença, neste momento de grande desencanto em relação aos políticos e à sua forma de intervenção na condução das políticas públicas.

Pela diferença, o ponto alto do programa da sua visita foi a iniciativa “Conversas na Praça” que o candidato tem realizado nos diferentes locais por onde passa. Os temas têm variado. Aqui, na Queiriga, o candidato quis ouvir os emigrantes. Já havia poucos, mas os que estavam, puderam sentar-se ao pé dele, na terra batida do campo de merendas, e confiar-lhe muitas das suas preocupações, designadamente as que se prendem com o ensino da língua portuguesa nas escolas francesas; as dificuldades em resolver problemas legais, como o recenseamento eleitoral, por exemplo, em consulados que são muitas vezes distantes ou com horários inapropriados e ainda os constrangimentos de integração para os que, já na reforma, querem regressar ao país e continuam a sentir-se emigrantes. Emigração sem remédio? União Europeia?

Sampaio da Nóvoa, sempre muito afável, tomou notas num bloco. E à noite, na Feira de S. Mateus, num jantar que reuniu mais de cem pessoas, sintetizou, em sete notas, o discurso mais pequeno de um candidato, os sete principais registos do dia.

Sampaio da Nóvoa não tem os tiques políticos de outros candidatos que acompanhámos noutras campanhas, suportadas por máquinas treinadas em projetar políticos. Anda livremente pelas ruas, é um homem simples, cumprimenta e sorri sem a pose a que estamos habituados. E se, por um lado, esta humildade é a grande força de uma candidatura “por conta própria”, sem enleios, para já, nas teias partidárias, pode, por outro, ser um constrangimento, pela dificuldade em sentar todos na mesma mesa ou posarem para a mesma fotografia nas redes sociais…

Tarefa difícil para quem coordenar a campanha! Na política, não contam, infelizmente, só as boas intenções.