Rosa Luxemburgo e a “vida política activa, irrestrita, energizante…”

por PN | 2019.11.01 - 17:58

Nascida na polónia em 1871, faleceu em Berlim, em 1919, executada pelas milícias nacionalistas alemãs, as Freikorps.

Pode consultar aqui o seu esboço biográfico:

https://pt.wikipedia.org/wiki/Rosa_Luxemburgo

Enquanto estava detida na cadeia alemã e pouco antes de seu assassínio, escreveu muitas das suas memórias. Destacamos estas quatro, avulsas, ajudados por Eduardo Galeano, em “Espelhos” (Antígona, 2018).

“O controlo público é indispensavelmente necessário. Quando não existe, a troca de experiências fica reduzida a um círculo fechado dos dirigentes do novo regime. A corrupção acaba por ser inevitável.”

“O remédio que Trotsky e Lenine encontraram, a eliminação da democracia enquanto tal, é pior do que a doença que se propõem curar, porque veda a única fonte de correcção de todas as limitações das instituições sociais. Essa fonte é a vida política activa, irrestrita, energizante, das mais amplas massas do povo.”

“A liberdade só para os partidários do governo, só para os membros de um partido, por numeroso que seja, não é liberdade. A liberdade é, sempre e exclusivamente, liberdade para quem tem opiniões diferentes.”

“Sem eleições gerais, sem uma irrestrita liberdade de imprensa e de reunião, sem um livre debate de opiniões, a vida morre nas instituições públicas, transforma-se numa caricatura da vida onde só a burocracia é elemento activo. A vida pública cai, gradualmente adormecida, e alguns líderes do partido, dotados de incansável energia e ilimitada experiência, governam e mandam.”

Em 1919, dois anos após a Revolução Bolchevique de Outubro de 1917, esta era uma discordância incómoda.E todavia, não foram nem russos nem os seus compatriotas polacos a pôr-lhe fim, mas sim um tenente alemão, Hermann Souchon, com um tiro na têmpora, a mando do capitão Waldemar Pabst (na fotografia).

Leia mais aqui, com a devida vénia à jornalista Vânia Maia…

http://visao.sapo.pt/atualidade/2019-01-15-O-assassinio-de-Rosa-Luxemburgo-uma-tragedia-e-uma-farsa

Paulo Neto

(Fotos DR)