Rocha, mas pouco sólido

por Carlos Cunha | 2016.08.13 - 14:17

 

Fernando Rocha Andrade é político e gosta de assistir a jogos de futebol da seleção nacional. Uma empresa privada pode convidar clientes seus para assistir a jogos de futebol. Até aqui tudo parece situar-se no campo da mera cortesia. O problema é quando o convite é feito a governantes e políticos no ativo. Aí, como se costuma dizer, é que a porca torce o rabo.

Rocha Andrade não é propriamente o tipo de político dado a simpatias, sorrisinhos e beijinhos. Quando o ouvimos falar também não é daqueles que causa grande empatia, até porque num estilo meio labrego meio bronco lá vai tentando fazer dos portugueses néscios, quer no que toca às alterações que o governo socialista pretende introduzir na taxação do IMI, quer na forma meio atabalhoada como procurou isentar-se de responsabilidades nas “borlas” que lhe foram concedidas pela Galp, que o convidou e lhe pagou as viagens, assim como a outros dois secretários de estado do atual governo que viajaram confortavelmente até França para assistirem a dois jogos da seleção portuguesa durante o Euro, final incluída.

O assunto até poderia ter passado à margem, não fosse Rocha Andrade ter a seu cargo a tutela da Autoridade Tributária com quem a petrolífera portuguesa tem um contencioso a decorrer no tribunal resultante de um diferendo de 100 milhões de euros relativo ao pagamento de impostos.

António Costa desvalorizou o assunto, continuando a torrar ao sol algarvio. Quem fez as despesas do governo socialista foi o primeiro-ministro interino, Augusto Santos Silva, que tentou colocar água na fervura, anunciando com toda a solenidade que os membros do governo que viajaram para França a expensas da petrolífera iriam reembolsar Galp de todas as despesas efetuadas. A cereja no topo do bolo acrescentou-a a seguir ao anunciar a criação de um código de conduta para governantes e altos quadros da Administração Pública.

Com tantos códigos, regras de etiqueta e de protocolo é natural que os governantes socialistas fiquem confusos e baralhados ao ponto de já confundirem um fondue com um gratinado. Santos Silva, habitualmente perspicaz, desconhecia clamorosamente que todos os funcionários da Autoridade Tributária e Aduaneira, incluindo claro está o Secretário de Estado, já têm, desde 2015, um código de conduta pelo qual devem pautar a sua conduta, pelo que o regulamento ora proposto, não passará de uma redundância inútil e desnecessária.

Rocha Andrade demonstrou toda a massa arrogante de que é feito, furtando-se a um pedido de desculpas, Costa branqueou-lhe a conduta, mas retirou-lhe a competência de tomar decisões sobre a Galp. Mesmo fragilizado na sua autoridade, Rocha não despencou. Assim sendo, qualquer funcionário público que aceite ofertas de terceiros, quando apanhado com a boca na botija, deverá ser ilibado desde que proceda à devolução dos mesmos à semelhança do seu superior.

A líder dos bloquistas, qual pitonisa grega, serpenteou a questão preferindo salientar que recaem sobre este governo elevadas expetativas quanto à conduta dos seus membros. Mudam-se os tempos, mudam-se as opiniões… e a aguerrida Catarina de outros tempos mostra agora enorme frouxidão com os parceiros da geringonça.

Por último, queria deixar uma palavra de enorme agradecimento a todos os bombeiros que heroicamente combatem dia e noite o flagelo dos incêndios, arriscando a vida para defenderem as populações e o território. Bem hajam pela vossa coragem e espírito de missão…

 

Carlos Cunha é militante do CDS-PP de Viseu e deputado na Assembleia Municipal. Licenciado em Português/Francês pela Escola Superior de Educação de Viseu concluiu, em 2002, a sua Pós Graduação em Educação Especial no pólo de Viseu da Universidade Católica Portuguesa.

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