RICARDO – O «MÃOZINHAS»

por José Carreira | 2014.02.25 - 10:36

ricardophoto

No dia 06 de maio de 2010, postei no meu blogue (http://cegueiralusa.blogspot.pt/) um texto intitulado “Ricardo – O Mãozinhas”, a propósito da apropriação indevida dos gravadores de dois jornalistas.

Transcrevo dois excertos:

O episódio protagonizado pelo deputado do PS, Ricardo Rodrigues, e dois jornalistas da revista Sábado permite-nos tirar duas conclusões. Uma, que nem todas as entrevistas são previamente combinadas, ou seja, nem sempre os entrevistados sabem que questões lhes vão ser colocadas. Outra, o Beto já tem um substituto à altura, o senhor Ricardo Rodrigues. Pelo menos houve um upgrade, o Beto «mãozinhas» usava um gorro, um tanto ou quanto inestético, enquanto o novo «mãozinhas», o deputado Ricardo Rodrigues, usa fato e gravata, suponho que de uma marca conceituada, a julgar pelo corte ().

Quem não se recordar do episódio, pode seguir o link: https://www.youtube.com/watch?v=_3sv2ZRE-Sk.

O senhor, apesar das imagens, teve argumentação de defesa muito substantiva:

() Maria de Belém que advoga a ideia de que o deputado, legalmente, não roubou porque posteriormente entregou os ditos gravadores no tribunal e interpôs uma providência cautelar. Foi ainda defendida a ideia de se ter tratado de um ato irrefletido em reação à enorme pressão que estava a sentir, devido ao teor das questões.

Todos os cidadãos têm, obviamente, direito à defesa.

Neste caso, como em tantos outros, a justiça tardou mas chegou. O tribunal da relação confirmou a condenação de Ricardo Rodrigues, ex-deputado socialista, por atentado à liberdade de imprensa (Económico, 19/12/2013). São estes exemplos que nos aproximam perigosamente do grau zero da política. A condenação ao pagamento de uma multa de 4950 euros, tem muito de simbólico, mas fica aquém do que julgo ser fulcral. Quem tem o desplante de utilizar um modus operandi tão vexatório e inaceitável, deveria ficar também inibido de exercer quaisquer cargos públicos.

“À mulher de César não basta ser séria, tem de parecer séria”.