Re-Rebaptize-se esta geração! (Com os Re que forem precisos)

por António Soares | 2013.12.05 - 18:17

Decorria o ano de 1994, era Manuela Ferreira Leite a Ministra de Educação do Governo então liderado por Cavaco Silva, quando, na sequência de uma manifestação estudantil, Vicente Silva publica um editorial do Público onde utiliza a expressão “Geração Rasca”. Rasca é um adjectivo que qualifica algo de má qualidade, reles, ordinário. Um termo exagerado, mas foi com essa expressão que a minha geração se habituou a (con)viver.

Mais recentemente, o termo foi – e bem – adaptado para “Geração à Rasca”. Contudo, não estou certo que tenhamos deixado de ser a “Geração Rasca” do passado, ou que seja nosso desejo deixar de ser essa “Geração Rasca”, a geração rebelde que não se conforma, se mobiliza e se faz ouvir. E se somos rasca é porque andamos à rasca.

Andamos à rasca porque, como diz o outro, “cada vez sobra mais mês no fim do dinheiro”. À rasca porque vimos que o fulano é contratado por ser filho, primo, enteado ou militante de algo ou alguém e não por mérito. À rasca porque os gestores que auferem milhares de vezes mais do que os seus operacionais são os que apelam ao “apertar do cinto”. E logo a nós, que já andamos com cinta de vespa. À rasca porque a justiça afinal não é cega, mas zarolha, e o olho que vê é sempre o mesmo e só foca para um lado.

E porque tudo isto parece parecer normal, ser rasca é a forma de elevar a voz, de chamar a atenção, de proclamar justiça, é o Grito do Ipiranga.

Somos rasca porque nos manifestamos? Somos rasca porque denunciamos nas redes sociais o que (alguns) jornais esquecem ou abafam? Somos rasca porque queremos trabalhar sem vergar as costas ao chicote? Somos rasca porque não queremos pagar reformas milionárias a quem viveu à conta da usurpação do País? Então sejamos rasca com orgulho.

Fomos e somos a “Geração Rasca” e não queremos mais nenhum rótulo. Não gostamos tão pouco desse novo “Geração Nem-Nem”, que nem trabalha, nem estuda. Esse é um termo demasiado parecido com “Neném” que em Brasileiro significa bebé, carapuça que não nos assenta. Se por um lado é verdade que os bebés também não estudam nem trabalham, não é menos verdade que não foi a nossa geração quem mais sujou a fralda!