Quem entalou os Antónios?

por Rui Coutinho | 2014.09.18 - 12:55

 

A discussão em torno do futuro candidato do PS ao cargo de primeiro-ministro é algo de inédito até ao presente momento, sendo um dos temas mais recorrentes e capazes de arregimentar muita gente, como se tem visto.

Dos debates visualizados entre António Costa e António Seguro, as diferenças que os separam são por vezes muito difíceis de vislumbrar e nem sempre possíveis de descortinar para um largo espectro da população. Parece no entanto notório que um e outro convergem numa matéria de suma importância: o candidato apoiado por ambos para o cargo de Presidente da República será António Guterres.

Desde que é conhecida – e já lá vai algum tempo (meses) – a intenção de António Guterres de se candidatar a este cargo pela voz agora de Jorge Coelho (provável mandatário) que é notório o frenesim de movimentações nas ostes do PS.

António Costa, eterno e desejado candidato a todos os lugares, por muitos apelidado como intermitente mas com tarimba e curriculum político, viu-lhe escapar o cargo em causa para Guterres. Perante este cenário, conjugado com os duradouros azedumes da ala socrática sedentes de vingança e que António Seguro nunca foi capaz de açaimar dos quais prova agora a cicuta, bem como dos recorrentes comentários dos seus “camaradas”, designando as suas vitórias eleitorais como sofríveis e pífias, catapultaram vertiginosamente a contestação à actual liderança do PS. A esta conjugação de factores poderemos ainda com toda a certeza acrescentar o acercar do desejado calendário legislativo para 2015.

No caso de não se ter registado o anúncio de António Guterres, e se os resultados obtidos funcionassem como um incitamento galvanizador no seio do PS, muito provavelmente o possível candidato presidencial e desejado por muitos socialistas (incluindo o próprio Seguro) seria sem contestação António Costa e António Seguro continuaria o seu possível ou idílico trilho em direcção a São Bento.

Do muito que se tem dito até ao momento, o que faz algum sentido é que António Guterres será um fortíssimo e agregador candidato presidencial e, depois de cumprir os dois mandatos como tem sido tradição, seguir-se-lhe-á como candidato apoiado pelo PS o amado, multifacetado e por alguns ou muitos repudiado ex primeiro-ministro José Sócrates, que ter-se-á ainda de condoer várias vezes por esse desígnio. O futuro candidato do PS a primeiro-ministro será uma incógnita e a sua articulação com o actual secretário-geral fácil ou difícil de conciliar. Sobre este assunto muita água ainda irá correr debaixo da ponte.

Nas várias reuniões que ocorreram entre Seguro e Costa não se terão eventualmente lembrado de equacionar atempadamente e em surdina o cenário de Presidente da República e de Primeiro-ministro ou as diferenças que os separavam eram já à data notórias e incompatíveis. Se não o fizeram….

O António entalou os Antónios.

 

Técnico Superior a exercer funções na Escola Superior Agraria de Viseu (ESAV) com ligações a projectos agrícolas e agro-alimentares é Bacharel em Engenharia Agro-Alimentar pela ESAV, Licenciado em Enologia pela Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) Mestre em Biotecnologia e Qualidade Alimentar pela UTAD e com o Curso de Doctorado em Bromatologia e Nutrição pela Universidade de Salamanca.

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