Que razões tenho eu para pertencer à ASPP/PSP?

por José Chaves | 2017.08.02 - 08:34

 

Razões históricas:

Por ser de um tempo em que apenas havia a ASPP/PSP. Por naquele tempo e quem iniciou o processo para a legalização do sindicato, ter arriscado a sua vida pessoal e profissional, com alguns a terem consequências irremediáveis para o resto da vida, por acreditarem que os polícias tinham de ser defendidos através de uma organização sindical. A ASPP/PSP começa num tempo em que os seus apoiantes, nos quais me incluo, eram perseguidos por uma hierarquia implacável e por um poder político sem visão e com a convicção que os direitos dos polícias deviam ser restringidos ao máximo. Os homens e as mulheres que iniciaram esta aventura sindical, fizeram-no por um ideal, o ideal da defesa dos polícias e dos seus direitos, fizeram num tempo em que tudo era para perder e quase nada para ganhar. Foram estes homens e estas mulheres, que acreditando nesse ideal, também me fizeram acreditar, que só lutando por todos sem qualquer restrição de classe ou posto tinha sentido uma organização para defender os polícias; que ser dirigente da ASPP/PSP é estar do lado de todos a troco de nada, absolutamente nada; foi com esses dirigentes que aprendi que só se pode estar no sindicalismo se formos completamente independentes de qualquer interesse particular ou organização politica; Que a defesa dos polícias sendo prioritária, nunca podemos esquecer que temos de ser solidários para com todos os trabalhadores; aprendi, desde o tempo da clandestinidade que um sindicato só tem sentido se souber ser solidário com todos, mesmo com aqueles que nos criticam e querem mal. Enfim, aprendi que ser das ASPP/PSP é lutar pelos direitos de todos os polícias, sem excluir ninguém.

 

Razões ideológicas:

A existência de um sindicato na PSP, foi o anseio de alguns polícias no final da década de 70 do século passado. Isto prendia-se com a necessidade dos polícias serem defendidos na garantia de direitos de cidadania, por isso é que a existência da ASPP/PSP foi extraordinariamente importante, não só para a PSP como para toda a sociedade em geral. Na defesa dos direitos de qualquer classe de trabalhadores, a história ensina que só com uma organização capaz e com fortes alicerces ideológicos se consegue combater a exploração e o abuso que possa existir numa relação hierárquica, bem como numa relação entre os administrados e a sua tutela.

 

Razões de ordem afectiva:

Cresci na Polícia com a ASPP/PSP como único sindicato. Um sindicato em que os seus dirigentes foram perseguidos e violentados em muitos direitos, algo que me marcou profundamente e que jamais me faria ficar indiferente. Criei ao longo destes anos uma admiração por todos aqueles que desbravaram o terreno para que o sindicalismo fosse uma realidade.

 

Razões de lealdade:

Depois do que a ASPP/PSP conseguiu, com muita luta e sacrifício de alguns. Claramente com sangue, suor e muitas lágrimas, nunca podia deixar de apoiar e contribuir para uma organização que é a percursora do sindicalismo, como também nunca poderia abandonar uma organização que manteve sempre ao longo da sua existência uma linha coerente e responsável sobre a luta pelos direitos dos polícias, nunca se deixando influenciar por forças estranhas e indo apenas ao encontro do interesse geral dos polícias.

 

Razões de lógica (coerência):

Um sindicato só tem sentido existir se tiver poder. Um sindicato sem poder, serve apenas para colocar em causa o movimento sindical e por consequências todos os trabalhadores, serve os interesses do empregador. O poder conquista-se com credibilidade, com bom senso, com muita luta quando assim é necessário, mas também com dinheiro, cuja proveniência é apenas dos sócios, pelo que o único sindicato que pode ter cada vez mais poder e assim ombrear com o poder político é a ASPP/PSP. Dar poder à ASPP/PSP é dar poder aos polícias para terem melhores condições para desempenharem a sua função e na defesa dos seus direitos de cidadania.

 

Razões de ordem democrática:

A ASPP/PSP habituou desde sempre a que quem queira ser seu dirigente ou delegado, tem de se submeter a um processo eleitoral – isto é democracia!

A ASPP/PSP realiza todos os anos, pelo menos duas assembleias gerais, onde se garante a presença dos sócios que queiram estar presentes e com toda a liberdade para expressarem as suas ideias.

A ASPP/PSP através dos seus dirigentes tem a preocupação de sentir o que pensam todos os polícias, mesmo os que não são sócios, e agir em conformidade com o que é o interesse da maioria.

A ASPP/PSP representa todos e não apenas alguns, tendo nos seus corpos sociais polícias de todas as categorias hierárquicas (agentes, chefes e oficiais), de todos os comandos distritais, regionais e metropolitanos, homens, mulheres, com muitos anos de serviço e com poucos anos de serviço.

 

Vice-presidente da Associação Sindical dos Profissionais da Polícia (ASPP/PSP)

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