PS: “Ser ou não ser, eis a questão”

por João Fraga | 2013.12.21 - 17:34

“O PS não é confiável como partido da Oposição”.
É este o título do artigo escrito pelo Dr. Pacheco Pereira no jornal PÚBLICO de 21/12/2013 (pag. 52), criticando a assinatura do PS, juntamente com o PSD e o CDS, do acordo quanto à “reforma” do IRC.
O Dr. António Costa já o tinha feito de forma mais indirecta, soft, quando, no último Quadratura do Círculo (SIC, 19/12/2013) disse que, como dirigente do PS, nas condições em que o foi, não assinaria tal acordo.
Pacheco Pereira (um militante do PSD!…) é, neste artigo no PÚBLICO, mais claro.
Não sou (evidentemente, antes pelo contrário, acho eu…) militante ou apoiante do PSD ou do CDS.
Mas, quanto ao que aqui escreve o Dr. Pacheco Pereira (ou, sobre o que for, seja quem for), continuo a ter por lema Séneca: “ O que quer que seja que um outro disser bem é meu”. Por exemplo, isto:
– “O Governo, o PSD e o CDS e todos os apoiantes do “ajustamento” na versão troika – Gaspar – Passos obtiveram uma importante vitória política ao levarem o PS a assinar um acordo a pretexto do IRC”.
– “O sentido de fundo do “ajustamento” está muito para além do resolver os problemas imediatos do défice ou da dívida, mas traduz-se numa significativa alteração das relações sociais a favor dos senhores da economia financeira, em detrimento daquilo que a maioria da população, classe média e trabalhadores, remediados e pobres, tinham conseguido nos últimos 40 anos”.
-“ Ela faz-se pela mudança de fundo no terreno laboral (…), com a fragilização das relações entre trabalhadores, o elo mais fraco, e o patronato, o esmagamento da classe média pelo assalto à função pública, aos salários, reformas e pensões”.
– “O PS de Seguro mostrou que não é confiável como partido da oposição e que ou não percebe o sentido de fundo da actual política de “ajustamento” (…) ou, pelo contrário, percebe bem de mais e quer ser parte dela”.
-“O acordo sobre o IRC não é sobre o IRC. O IRC, repito, foi o pretexto”.
-“O PS escolheu estar ao lado dos ajustadores”
– “Vão ter muitas palmas e responder com muitos salamaleques”. “O acordo sobre o IRC não é sobre o IRC. O IRC, repito, foi o pretexto”.
Convenha-se que, de facto, face ao que, de maior (social e politicamente), está neste momento em causa na sociedade portuguesa, é caso para perguntar: o PS é ou não é da Oposição?
Sempre a propósito, a clássica pergunta “trágica” em Hamlet: “Em nosso espírito sofrer pedras e setas / Com que a Fortuna, enfurecida, nos alveja,/ Ou insurgir-nos contra um mar de provações / E em luta pôr-lhes fim?”
Ser ou não ser, eis a (eterna) questão … do PS.

Inspector do trabalho (aposentado), 67 anos, licenciado em Gestão de Recursos Humanos, com pós-graduação em Psicologia do Trabalho pela Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade do Porto, residente em Santa Cruz da Trapa.

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