Processo Desumanizador em Curso

por Silvia Vermelho | 2014.03.07 - 09:59

Processo Desumanizador em Curso

Fez um ano, neste 2 de Março, que Viseu saiu à rua no âmbito do protesto “Que se lixe a Troika! Queremos as nossas vidas!”. Juntei-me às centenas de pessoas que percorreram as ruas de Viseu e, no momento oportuno, não quis deixar de partilhar com as cidadãs e cidadãos do Distrito de Viseu o que me ia na alma. À data, noutra plataforma, tive oportunidade de reflectir publicamente sobre aquele dia e sobre a minha participação, enquanto jovem mulher, na construção do que somos enquanto Humanidade. Falei sobre o Dever à Resistência, constitucionalmente protegido como Direito. Falei sobre o medo. E quando pensei sobre isso, escrevi: “Sim, há medo. Medo de que, quando as coisas virarem, quem hoje proteste deixe de ter o seu lugar ao sol amanhã. É preciso gritar que esse lugar ao sol não existirá para nós sempre que deixarmos que ele dependa de outrem.”

Um ano depois, continua o Processo Desumanizador em Curso. Houve mais uma, ou mais duas, sei lá, edições da Casa dos Segredos, mais campeonatos de futebol, mais eucaristias apaziguadoras, mais festivais de verão, mais passagem de ano, mais propaganda… e também mais vigilância, mais violação da privacidade e da liberdade individual, mais abusos dos Direitos Humanos, mais violência, mais políticas injustas sob a desculpa do “tem de ser”.

As sedes dos Partidos Políticos continuam a abrir para reuniões, são chamados o Relvas e o Jorge Coelho para perpetuarem o mesmo de sempre, aumenta-se a dependência do Estado e do Poder com os apoios ao emprego, uniformizando procedimentos e salários (baixando-os), lança-se a “factura da sorte” desprestigiando o carácter comunitário do tributo…. É tudo tão errado que já me cansa não poder parar de dizê-lo, porque se nos calarmos corremos o risco deste Processo Desumanizador vencer por omissão. E nunca poderei tolerar isso. Fazer ouvir a nossa voz faz parte da nossa Humanidade, disse-o e torno a dizê-lo, repito-o até que todas as vozes caladas pelo medo de perder o que não têm possam expressar-se e pensar um mundo melhor.

Um ano depois, continuo empenhada em contribuir para o Processo de (Re)humanização. E desse lado do ecrã, já ouviu falar deste Movimento em que tudo o que tem de fazer é ouvir o seu coração?

Silvia Vermelho é politóloga, empresária e activista. Nasceu em Mangualde, onde decidiu regressar em 2012, após 7 anos em Lisboa, para onde entretanto havia ido estudar. Dedica a sua atenção nos âmbitos profissional e associativo ao Poder Local, à Igualdade de Oportunidades e à Cidadania, Democracia Participativo, empoderamento e sociedade civil.

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